O Tribunal do Júri de Araçatuba (SP) se reúne nesta quarta-feira (6), para julgamento de Elcio Alexandre, acusado de matar o genro dele, Fábio Modaneis Ferreira, crime ocorrido em 23 de dezembro de 2007, em um condomínio de ranchos em Santo Antônio do Aracanguá.
A demora no julgamento ocorreu porque a defesa do réu recorreu da pronúncia. O TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) manteve a decisão de mandá-lo a julgamento por Júri Popular.
O julgamento inicialmente foi marcado para fevereiro de 2020, mas foi remarcado para esta quarta-feira. Alexandre foi denunciado por homicídio qualificado por meio cruel e com recurso que dificultou a defesa da vítima.
Segundo a denúncia, a vítima mantinha relacionamento com a filha do réu, com a qual tinha uma filha. Eles residiam em Joinville (SC) e vieram para Araçatuba passar o Natal com a família.
Por volta de 1h30 de 23 de dezembro, Ferreira foi até o condomínio onde a família passava o final de ano. Visivelmente embriagado, disse ao porteiro que era pai da neta de Alexandre e precisava conversar com ele.
O porteiro telefonou várias vezes para à residência do réu, que não atendeu. Por isso, ele solicitou a um colega de trabalho que fosse avisá-lo da presença do genro.
Momentos após ele voltar à portaria, surgiu pela avenida de saída do condomínio, uma picape VW Saveiro e o porteiro abriu o portão para que o veículo saísse.
Assim que o condutor parou, já do lado de fora do portão, a vítima virou-se em direção à picape e foi atingida na coxa direita um disparo de espingarda feito pelo réu.
Ferido, o genro caiu no chão e passou a ser agredido pelo sogro com o cabo da espingarda, principalmente na região cabeça.
Ao perceber que a vítima estava desacordada, o réu entrou na picape e fugiu, levando a espingarda.
Absolvição
Durante o processo, a defesa pediu a absolvição de Alexandre, que confessou o homicídio. Ele alegou que tinha bom relacionamento com o genro, que era uma pessoa violenta, havia praticado homicídio, tentativa de homicídio e sempre andou armado.
Disse ainda que o genro telefonou para ele, pedindo que fosse à portaria do condomínio, caso contrário invadiria o local. E que ao chegar na portaria, a vítima foi para cima dele, que se afastou e viu um pedaço de pau sobre uma cerca viva e o pegou.
Quando percebeu que na verdade era uma espingarda e não um pedaço de pau, atirou nas pernas do genro, que mesmo ferido teria continuando indo para cima dele.
Para se defender, puxou a arma e a vítima escorregou e caiu. Ele deu uma coronhada na cabeça do genro, pediu o carro para a esposa e foi para a casa de um irmão. No caminho, disse que jogou a espingarda no rio Tietê.
O julgamento está marcado para começar às 9h no Fórum de Justiça de Araçautba. O promotor de Justiça Adelmo Pinho representa o Ministério Público e a defesa será feita pelo advogado Antonio Carassa de Souza. O réu aguarda julgamento em liberdade.