O STJ (Superior Tribunal de Justiça) concedeu ao médico anestesista Cleudson Garcia Montali, de Birigui (SP), condenado a mais de 200 anos de prisão, o direito à prisão domiciliar. Ele é acusado de chefiar uma suposta organização criminosa especializada em desviar dinheiro público da área da Saúde por meio de contratos com Organizações Sociais de Saúde).
A decisão é do ministro Ribeiro Dantas, proferida na quata-feira (11), com base em pedido feito pela defesa, que apresentou um novo atestado médico, alegando que o condenado não pode receber os devidos cuidados no sistema prisional.
Chama a atenção que o novo atestado médico apresentado à Justiça é de 1º de maio de 2021, um sábado, um dia após o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes, revogar a prisão domiciliar que ele mesmo havia concedido a Cleudson, em abril.
Falso
O médico anestesista havia deixado a prisão em abril do ano passado, também por supostos problemas de saúde, mas posteriormente foi constatado que o atestado médico apresentado pela defesa em favor dele era falso.
Cleudson foi preso novamente no domingo, dia 2 de abril, um dia após a emissão do novo laudo apresentado agora e que foi reconhecido em cartório no dia 24 de maio.
Esse novo atestado médico que serviu de base para concessão da prisão domiciliar foi assinado pelo clínico geral José Usan Júnior, condenado pela Justiça de Guararapes em 2017 por improbidade administrativa por acumular cargos em vários municípios.
Patologia crônica evolutiva
No atestado Usan Júnior cita que Cleudson possui patologia crônica evolutiva, com atrofia severa dos membros inferiores, diminuição da massa muscular, atrofia dos membros superiores, além de perda da vitalidade da pele.
Citou ainda que o condenado apresenta alteração da pressão arterial e glicemia, desidratação, alteração cognitiva e insônia. Tudo isso seria consequência da cirurgia bariátrica à qual foi submetido no passado e por falta de alimentação hiperproteica e hipocalórica e de vitaminas e minerais durante o período em que está preso.
“Isso pode acarretar falência de seus órgãos, atrofia generalizada e demência transitória ou definitiva. Fato que pode ocorrer risco de vida e/ou prejuízo definitivo para sua saúde. Portanto, tem que ser cuidado por uma equipe multidisciplinar e alimentação balanceada”, cita no atestado.
Prisão domiciliar
Ao conceder a prisão domiciliar, o ministro do STJ considerou que com base no atestado médico apresentado, Cleuson apresenta “estado de saúde extremamente debilitado devido à falta de alimentação hiperproteica e hipocalórica”. E acrescenta que a prisão domiciliar nesses casos é medida humanitária lastreada no princípio da dignidade da pessoa humana.
Dantas cita na decisão que eventual desobediência das condições impostas pela Justiça acarretará na revogação da prisão domiciliar e retorno ao encarceramento.
Segue preso
A decisão é com base no processo que tramitou na Justiça de Penápolis, que em agosto do ano passado condenou Cleudson a mais de 100 anos de prisão. A reportagem apurou que o juiz da 1ª Vara Criminal de Penápolis, Marcelo Yukio Misaka, já autorizou a ordem de prisão domiciliar.
