Nem monarquia, nem democracia, talvez seletocracia. No Brasil, em esfera nacional, são 513 representantes para 200 milhões de habitantes (Congresso), ou seja, cerca de 1 representante para cada 100 mil pessoas.
Alguns são representados por mais, o que lhes garante o uso de coroas mais adornadas (são os chamados caciques, você já ouviu falar) e os menos populares, que pegam carona no lastro dos primeiros (quociente eleitoral, que também já ouviu falar).
Cada um desses reis tem direito a uma grande tropa: assessores, colaboradores, motoristas, seguradores de paletó, arrumadores de cabelo, maquiadores, advogados, etc. Mais infraestrutura de gabinetes como imóveis, móveis, automóveis, aeronaves, mecânicos, combustível, etc. Tudo isso justificado para que possam atender as expectativas daqueles que ele representa. Amplie isso em esferas estaduais e municipais e tente enxergar 513 pirâmides cheias de pessoas penduradas nelas. Esse é o reino.
O 514º rei é figurativo, tem poderes limitados, reduzidos – o que é muito bom, porque poder total na mão de uma única pessoa, além de ser muita responsabilidade, é autoritarismo (monarquia).
Por outro lado, esse poder distribuído entre mais pessoas (os 513) dilui essa responsabilidade e governança – o que não é ruim pois, teoricamente, as necessidades e anseios de mais pessoas teriam mais chances de serem ouvidos e atendidos (democracia).
Esse cenário forma uma espécie de consórcio de reis. E esse consórcio conta com o apoio de dois irmãos mais velhos, onde um ajuda com conselhos e orientações do que é melhor ou pior a se fazer (Senado) e o outro os ajuda quando alguém os ameaça (sabe quem é, né?).
Dessa forma, entende-se que o reino esteja protegido e devidamente legitimado para amparar e garantir adequadamente aquelas necessidades e anseios clamados pelo povo. E o rei figurativo, seja lá quem for, serviria apenas para assinar uns papéis e ouvir reclamações gerais talvez.
No geral, a ideia é interessante, um sistema bem desenhado, bem pensado e repensado. Nele derrubaram até a grande muralha que separava o povo do reino, mas esqueceram só de duas coisinhas: da imunidade e dos privilégios exagerados para essa corte.
Esse talvez seja o maior muro de todos. Intransponível. Para estar do lado de dentro, tem que entrar no jogo, e para sair, basta pisar na bola que o consórcio elimina (seletocracia).
E o povo? Ah, esse fica na ilusão do surgimento de um único rei salvador, mas, na verdade, sustenta e saúda os outros 513.
“VIDA LONGA AOS REIS".
(Foto: arquivo pessoal)
* Cássio Betine é pós-graduado em Tecnologias na Aprendizagem; CEO da F7DIgitall; fundador da IntecBirigui (Incubadora de Base Tecnológica); community leader da Startup Weekend e Walking Together; organizador de meetups; autor de títulos literários sobre tecnologia, economia e mercado; autor periódico de artigos e podcasts; membro de dois conselhos municipais: Ciência e Tecnologia e Turismo, ambos em Birigui.
** Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação.
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