A representatividade nos espaços de poder é uma necessidade gritante na nossa cidade (Araçatuba). Estamos em ano de eleição e, com isso, deveríamos nos perguntar qual o nosso papel para contribuir com as mudanças que gostaríamos de ver acontecendo?
Por vezes, nos pegamos pensando que o cenário político é tão caótico que devemos nos afastar dessa discussão como se conseguíssemos evitar as consequências políticas das nossas escolhas e decisões.
Araçatuba, em sua última legislatura, elegeu 13 homens brancos e 2 mulheres brancas. Fica evidente, portanto, a falta de representatividade que nos acomete. Há uma significativa parcela da sociedade que se considera negra e do gênero feminino e que não está devidamente representada nos espaços que definem as políticas necessárias para nossa subsistência. Sim, quem se elege decide parte da nossa vida. Decide sobre quais leis serão executadas pelo executivo eleito.
Pois bem, a construção da participação política por meio do voto para mulheres, negros, indígenas foi uma construção sangrenta e difícil de conquistar, mas conquistamos! Somos a maioria dos (as) eleitores (as), mas somos as minorias sociais, políticas e econômicas ainda.
Considero a conquista do voto um avanço significativo para quem defende os direitos humanos, mas não é só poder votar que interfere no resultado prático da nossa existência. Agora que conquistamos esse direito, é urgente fazermos a leitura de como está o cenário municipal e analisarmos as propostas que logo começarão a ser veiculadas nas redes sociais e em papéis impressos, o famoso “santinho”.
A crise de representatividade que enfrentamos não só no nosso município - infelizmente percebemos o mesmo no âmbito estadual e federal -, nos coloca frente a um desafio que gostaria de fazer aqui: é importante ficarmos atentos (as) às várias propostas de governo, às promessas que serão feitas logo mais quando a campanha política estiver devidamente autorizada pela justiça eleitoral que se inicia 45 dias antes do pleito.
Devemos olhar as plataformas de campanha, que são os compromissos que aquela pessoa está fazendo diante da população quando quer se eleger.
A participação política tem início com o voto, mas ela é muito mais do que isso. É necessário que a representação da maioria esteja lá e lutar por aquilo que realmente necessitamos. Como pensar em políticas para as mulheres, maioria da população municipal, quando 13 homens detêm o poder de nos representar?
Essa dinâmica vale para a população negra, visto que nenhum representante do nosso legislativo é negro (a). E quem governa para a periferia da cidade? Moradores(as) amontoados(as) nos bairros mais distantes e, portanto, com muito mais dificuldades de acessar os equipamentos de saúde, educação e assistência social. A vida periférica necessita de políticas públicas mais efetivas.
O transporte público, por exemplo, precisa atender as pessoas que necessitam deixar seus bairros periféricos e acessar o centro para trabalhar, precisa passar na escola onde os filhos estudam antes e, muitas vezes, precisa acessar o posto de saúde ou instituições sociais distantes de seus lares. É esse o modelo de política que você vê em nossa cidade?
Portanto, faça um favor a si mesmo(a) e use o seu voto para eleger alguém que realmente te represente. Vamos parar de terceirizar as responsabilidades e entender que nós somos a mudança. Precisamos fazer escolhas melhores e acompanhar o trabalho de quem passará os próximos quatro anos garantindo que eu tenha orgulho de ser cidadão/ã e fazendo jus à luta empenhada por quem veio antes de nós.
*Fernanda Luise é assistente social, feminista interseccional e ativista política.