Opinião

A cultura é de todos? É para todos?

"De repente estávamos no meio de uma queda de braço política, onde quem estava fora queria entrar, nem que se fosse à força, nesse grande e inacabável plano"

Fernanda Colli*
13/12/20 às 11h15

Podemos conceituar cultura como sendo a construção histórica de significados, de técnicas, de valores, construída coletivamente. Resumidamente, a cultura é a nossa identidade. 

Durante o ano de 2020, ano em que a pandemia tornou-se um grande destruidor (ou adiador) de sonhos e ao mesmo tempo enaltecedor de alguns, movimentos de artistas se formaram e se desfizeram na velocidade da luz e o que vimos foram reivindicações isoladas, que fugiam do coletivo. 

De repente estávamos no meio de uma queda de braço política, onde quem estava fora queria entrar, nem que se fosse à força, nesse grande e inacabável plano. Pois bem, a casa caiu e a lei permanece. E aos poucos, timidamente, um novo Conselho Municipal de Políticas Culturais vai surgindo.

Todos afugentados pelo estardalhaço político, alguns vivendo o drama que a pandemia nos causa, e mesmo diante disso, conselheiros são convocados, com suas ideias e ideais. Uma chama de esperança acendendo para a cultura. 

Para completar o feito, uma presidenta caipira, oriunda da cultura popular, não militante de partido, mas participante e defensora da ideia de que a cultura é do povo. E o que é feito durante convocações e reuniões ordinárias e extraordinárias, é angariar mais e mais conselheiros e segmentos com coragem para que a cultura permaneça e atinja um público cada vez maior. 

Somos um grupo de conselheiros voluntários, que só quer equidade (não igualdade) para com todas as classes artísticas. Mas hoje, talvez venha a sensação de que, abandonados em alto mar, sem ajuda ou até reconhecimento dos artistas, vai morrer na praia. 

A busca desenfreada para agilizar recursos, disponibilizar projetos, a verba federal da Lei Aldir Blanc, por meio de um vasto plano de trabalho, serviu apenas para reafirmar o poderio de quem já estava inserido e participando constantemente das oportunidades de seleções e chamamentos que já eram oferecidos pela Secretaria Municipal da Cultura. 

A secretaria fez a sua parte, ofereceu algumas possibilidades para que os artistas participassem de projetos. Isso não há como contestar. 

A grande indagação é: até quando os artistas dessa cidade vão perder oportunidades, não participando de projetos ou não procurando ajuda? Quando digo ajuda, é ajuda para desenvolver sua arte e não para ficar pedindo dinheiro, como ocorreu durante um período desse ano. 

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Até quando teremos os resultados da habilitação de projetos, já sabendo quem são os contemplados? A vocês artistas, sempre contemplados, porque não oferecem ajuda para o outro? Afinal de contas, não é função da presidência do conselho ter que implorar para que os artistas saiam da zona de conforto, ou da figura de vítima, e lutem. 

Até quando nossa cidade será omissa diante do que temos de mais valoroso, que é a nossa cultura, para encher os bolsos de quem já os tem cheios?

Até quando um artista terá que exercer sua arte após horas exaustivas de trabalho? A maioria não consegue viver “só” de arte.

Essas são as palavras de quem vive e respira cultura. Mas que trabalha exaustivamente e voluntariamente, na maioria das vezes, para que surjam outros artistas que percebam que a cultura tem que prevalecer, pois é ela que fica quando tudo vai embora. Sejamos a esperança. Vamos nos levantar, nos mexer e transformar. 

*Fernanda Colli é catireira, pedagoga, psicopedagoga, arte educadora, escritora, pesquisadora, membro da IOV Brasil (Organização Internacional da Cultura Popular) da Unesco, presidente do Conselho Municipal de Políticas Culturais de Araçatuba biênio 2020-2022

** Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação.

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