Opinião

A responsabilidade da imprensa e a irresponsabilidade da nota de repúdio

"Haveria sim parcialidade, caso o Hojemais Araçatuba tivesse conhecimento de informações de interesse público e não as divulgasse, pois a única razão de a imprensa existir é justamente a de informar"

Editorial
26/09/24 às 18h45

A imprensa não pode ter lado; o único lado possível para a imprensa é o da verdade! É responsabilidade da imprensa informar os fatos de interesse público e essa é uma obrigação que é seguida à risca pelo Hojemais Araçatuba, que jamais faria qualquer tipo de publicação que não fosse baseada em informações reais.

A ética é outro princípio fundamental do jornalismo, que é respeitado pelo Hojemais Araçatuba, que ao fazer uma publicação, tenta ser o mais isento possível, sem acusações, julgamentos e principalmente, condenações, pois cabe aos poderes constituídos esse papel.

O Partido Progressistas de Araçatuba divulgou uma nota de repúdio na noite de quarta-feira (25), contra "reportagens" que considera tendenciosas e que teriam o intuito de promover a divulgação de fake news e interferir no resultado das eleições.

Essa nota, que não foi enviada para o Hojemais Araçatuba, foi divulgada após publicação de matéria relacionada à “Operação Ligações Perigosas” , que segundo as autoridades, apura possível infiltração de uma facção criminosa na política local e que foi deflagrada no dia 6 de setembro.

Alguns dias depois, o Hojemais Araçatuba publicou matéria informando que pessoas ligadas a esse partido político teriam sido alvo de mandado de busca e apreensão durante a operação, com base em informações reais. Essa informação é pública, pois basta visitar pessoas que residem nas imediações dos imóveis que foram alvo de busca durante a operação e perguntar se a polícia passou por lá.

E na quarta-feira (25), foi feita outra publicação, informando o porquê dessas pessoas terem sido alvo de busca. Até o início desta semana, essas informações eram sigilosas, por isso, não se tinha conhecimento da motivação das buscas. Porém, atendendo representação da Polícia Civil, a Justiça afastou o sigilo do inquérito relacionado a essa investigação, apesar de ter mantido o segredo de Justiça.

Não havendo sigilo, não há impedimento para publicação por parte da imprensa, que é protegida pela Constituição, de não ter que informar a fonte da informação: “é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional ”.

Todo bom advogado sabe disso e muitas vezes, se utiliza desse sigilo da fonte para passar informações que favorecem o trabalho dele e que são divulgadas, quando de interesse público.

No caso da reportagem citada, ela apenas relata os fatos que são investigados, preservando as identidades das pessoas envolvidas, e deixa claro que não há sequer indiciamento e muito menos denúncia.

O Hojemais Araçatuba entende que a população deve ter conhecimento dos fatos que resultaram na operação, que é uma das maiores já realizadas a partir de investigação realizada em Araçatuba, para que possa, dessa forma, tomar suas próprias conclusões.

Na nota de repúdio, o partido político afirma que nunca teve e não tem nenhuma relação com o crime organizado. E acrescenta que constitui crime a associação irresponsável com políticos da legenda.

Em nenhum momento foi afirmado que existe essa relação, mas sim, que essa possível relação é alvo de investigação, o que é fato. Quem irá dizer se há ou não influência de facção criminosa na política em Araçatuba será o resultado do inquérito, que como foi informado, está em curso. E se não houvessem indícios dessa relação, as pessoas que são investigadas e que têm sim relação com o partido político, não teriam sido alvo da operação e não teriam tido celulares e outros bens apreendidos.

A nota cita ainda sobre uma suposta tentativa de interferência nas eleições e questiona a imparcialidade e comprometimento da imprensa. O Hojemais Araçatuba não tem preferência eleitoral. Tanto que a primeira notícia relacionada à disputa eleitoral na cidade este ano foi em relação a uma multa aplicada a um candidato, resultado de uma representação feita pelo próprio Progressistas, que agora acusa de não haver imparcialidade.

É bom ressaltar que a imprensa não está investigando nenhum crime, mas sim, a Polícia Civil e o Ministério Público é que são responsáveis pela investigação. Ocorre que as informações são divulgadas no período eleitoral porque a investigação teve início no período pré-eleitoral, a operação ocorreu no período eleitoral e o sigilo foi retirado no período eleitoral.

Haveria sim parcialidade, caso o Hojemais Araçatuba tivesse conhecimento de informações de interesse público e não as divulgasse, pois a única razão de a imprensa existir é justamente a de informar. Se pessoas relacionadas a partidos políticos não estivessem sendo investigadas, certamente, o partido não seria citado, como não houve matéria relacionada a nenhum outro partido político.

Além disso, desde que teve conhecimento das buscas realizadas em endereços de pessoas relacionadas ao PP, a reportagem tem feito contato com o Jurídico do partido político, respeitando o princípio básico da imprensa de ouvir o outro lado. Mas a resposta sempre foi de que trata-se de fake news, seguida de ameaças de processo, em caso de publicação.

Na quarta-feira novamente foi dado espaço para o Jurídico do partido político se manifestar, mas a resposta foi de que não seria feito nenhum comentário e que seriam tomadas as medidas jurídicas cabíveis diante de qualquer publicação. Diferentemente da defesa de dois investigados, que tratou a reportagem com todo profissionalismo, entendendo e respeitando o papel de cada uma das partes.

A nota de repúdio, emitida após o Jurídico do PP recusar de manifestar sobre a investigação, alega que “vazamento seletivo de investigações que correm em sigilo absoluto e a divulgação de tais informações por parte da imprensa constitui crime previsto na lei penal. Assim, não hesitará em responsabilizar ‘jornalistas’ e/ou autoridades que porventura venham a cometer crimes” .

A imprensa em geral e o Hojemais Araçatuba não estão acima da lei. E nada do que foi publicado está em sigilo. Diferentemente do relatório do Gaeco, órgão do Ministério Público que participa das investigações, e que foi vazado para a imprensa ainda no dia da operação, quando estava em sigilo absoluto.

Com base nesse relatório foram publicadas matérias jornalísticas sobre o suposto envolvimento de um vereador com o crime organizado, inclusive com detalhes da investigação. Houve questionamentos sobre esse vazamento de documento sigiloso por parte de algum partido político? Quem vazou? Qual o interesse?

Houve sim a partir do vazamento, uma tentativa de relacionar esse vereador à coligação à qual ele faz parte, com objetivo de tentar prejudicar o candidato a prefeito desse coligação. E isso não tem fundamento, pois nada na investigação aponta qualquer envolvimento do partido dele ou de outros partidos da coligação em possível ou suposta irregularidade ou ilegalidade.

Finalizando, o Hojemais Araçatuba respeita os princípios constitucionais da presunção de inocência e da dignidade da pessoa humana e reforça que em momento algum fez acusações ou julgamentos, apenas relatou fatos, que são verídicos.

Ao afirmar que a reportagem trata-se de fake news, o Progressistas de Araçatuba sim, está tentando induzir a população a erro, visando tirar a credibilidade da imprensa séria, que tanto tem sofrido nesse sentido. Porém, o Hojemais Araçatuba seguirá sua missão, que é simplesmente informar a população.

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