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Thomas Hobbes, filósofo inglês, viveu de 1588 a 1679. Foi considerado o criador da chamada teoria do interesse . Essa teoria, esboçada em seu livro Leviatã , fundamentou-se na tese de que todo homem carrega, no âmago de sua consciência, um desejo natural de agir motivado pelo interesse próprio.
Segundo Hobbes, esse egoísmo psicológico , por se tratar de uma fraqueza inerente ao ser humano, pode ser, no máximo, contido, mas permanece ativo, pronto para operar como mecanismo propulsor de nossas ações.
Partindo da premissa de que a teoria do interesse é uma realidade mundial, fica cada vez mais difícil reprimir tendências individualistas, pois estas são estimuladas por princípios que norteiam o sistema capitalista do mundo globalizado.
A proteção à propriedade privada, a divisão de classes, o incentivo à concorrência e a busca constante pelo lucro, principais características do capitalismo, consolidaram o entendimento de que as pessoas se tornam mais importantes à medida que constroem seus impérios patrimoniais.
O Ter , há muito, já substituiu o Ser . Valores éticos e morais foram relegados a segundo plano. Relações humanas, como solidariedade e respeito, não fazem parte do padrão de comportamento eleito pela sociedade moderna.
Poucos conseguem se desvencilhar desse ciclo de imposições. O homem encontra dificuldades para distinguir o justo do injusto, pois o conceito de justiça vem perdendo autoridade e se tornando inacessível.
Quando o filósofo grego Aristóteles (384 a.C-322 a.C), propôs como ideal de justiça dar a cada um o que lhe é devido , quis fazer-nos pensar sobre a importância de se estabelecer limites. Agir com justiça pressupõe respeitar limites.
É missão quase impossível sobreviver dentro de um sistema capitalista selvagem, que pouco se importa com as desigualdades sociais e que, visa tão somente, à concentração de riquezas.
Se há um consenso em considerar o capitalismo como o melhor sistema econômico já inventado pelo ser humano, então é preciso admitir que, atualmente, passa por uma crise e necessita ser readequado, pois a sociedade menos favorecida se encontra extremamente oprimida pelos seus efeitos colaterais, principalmente relacionados aos instrumentos ideológicos de dominação, que tornam os seres humanos egocêntricos e acríticos.
Os estudos seculares da filosofia e da sociologia ensinam que, sacrificar o interesse individual em prol do bem comum, requer o pleno domínio e o exercício constante dos preceitos éticos e morais. Se esses valores não cabem dentro do atual sistema capitalista, alternativa não há senão proceder a uma mudança de mentalidade que tenha por escopo conter esse egoísmo inato confirmado pela teoria do interesse .
Afinal, solidariedade nunca representou sinal de fraqueza. O compartilhamento de ideias jamais pode ser interpretado como uma forma de municiar um eventual concorrente. Há espaço para todos dentro do conceito de c apitalismo humano .
Portanto, as sociedades que integram os países emergentes não devem permanecer indiferentes à ascensão desse capitalismo selvagem , centrada na ideia de que os fins justificam os meios . Esse sistema perverso é gatilho apto a legitimar injustiças e só beneficia àqueles que detêm o poder.
*Claudemir Francisco de Souza é advogado em Araçatuba (SP), especializado em "Execução de Políticas de Segurança Pública" e "Gestão da Investigação Criminal", pela ANP/Brasília (DF).
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