Opinião

Análise de crédito imobiliário precisa ser flexibilizada

Atitude de instituição financeira vai na contramão das ações do governo federal para fomentar a economia

Aurélio Luiz de Oliveira Júnior*
20/05/20 às 10h59

A construção civil é uma espécie de termômetro da economia. Quando ela vai bem isso é um bom sinal da conjuntura do país. E o contrário disso também é verdadeiro. No cenário atual, o setor apresenta-se como essencial para a recuperação no pós-pandemia.

O vice-presidente de HIS (Habitação de Interesse Social) da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), Carlos Henrique de Oliveira Passos, ressalta que a carência social por habitação e infraestrutura urbana – saneamento, logística – ficou ainda mais latente durante a pandemia, o que reforça a necessidade de oferecer soluções para movimentar a economia.

Apesar dos reveses de altas e baixas da economia, o impacto da construção civil tanto no PIB (Produto Interno Bruto) quanto na geração de empregos é expressivo, tendo participação importante no desenvolvimento do Brasil.

Nos últimos anos, o setor vem respondendo por aproximadamente 9,9% do PIB nacional, já tendo chegado a 15%, quando em alta produtividade, sendo que cada 1% dessa fatia representa cerca de 1 milhão de postos de trabalho.

Tais indiciadores traduzem-se em R$ 322 bilhões em investimentos e insere a construção civil entre as seis principais molas propulsoras da economia nacional, junto ao agronegócio, energia e mineração, dentre outros.

Isto exposto, são desastrosas as OCE 2020 (Orientações aos Correspondentes - Especializados – Crédito Imobiliário), do BB (Banco do Brasil), divulgadas recentemente, que enrijecem demais as regras de análise de crédito com recursos do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço), principalmente para o programa MCMV (Minha Casa Minha Vida).

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A atitude da instituição financeira vai na contramão das ações do governo federal para fomentar a economia, ainda mais nesta fase de pandemia. Não faz sentido! A impressão que se tem é que, em razão da pandemia, o banco está colocando limites justamente para inviabilizar as aprovações. No final das contas, a postura do BB, em relação ao crédito imobiliário, pode destruir construtoras.

Na região de Araçatuba há empresa do setor que não teve nenhuma proposta de financiamento aprovada no MCMV no mês de maio.

No final de 2019, entre 20% e 30% das propostas eram aprovadas pelo Banco do Brasil. No início deste ano, melhorou, e, cerca de 80% eram aprovadas. Mas agora, absolutamente nada está passando. E, pior, o que já estava aprovado, nos meses anteriores, passou por nova análise e foi reprovado. Vale lembrar que no Noroeste Paulista existem construtoras que trabalham basicamente com imóveis do MCMV, e se encontram em situação desesperadora.

É importante ressaltar que, como dinheiro ao qual estamos nos referindo é advindo do FGTS e não da própria instituição financeira, a sua finalidade é estritamente social, sendo que o BB não deveria colocar obstáculos para os financiamentos.

Esse volume de recursos está disponível e não vem sendo injetado no País, piorando a conjuntura econômica.

Entendemos que existe a necessidade de flexibilização na análise de crédito dos cadastros, para fazer a roda girar e não comprometer ainda mais a situação da economia.

(Foto: Divulgação)


*Aurélio Luiz de Oliveira Júnior é presidente do Sinduscon OESP (Sindicato das Indústrias da Construção Civil da Região Oeste do Estado de São Paulo)



** Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação


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