Opinião

Araçatuba: um menino e 200 mil habitantes

"Quando se sonha grande, a realidade aprende." (Válter Hugo Mãe)

Helio Consolaro
03/12/25 às 15h37
Miguel (Foto: Divulgação)

Alguém atravessou o ribeirão Baguaçu e chegou a São Paulo, foi mostrar o talento do fundão de São Paulo. Seus pais atenderam ao pedido do menino Miguel Martines, deram-lhe as mãos e levaram-no até os ares artísticos da capital. Perderam até dias de serviço. A internet encurta caminhos, mas não faz tudo.

Com essa coragem, os pais cumpriram suas obrigações para não frustrar o menino em sua vocação, e tivemos a oportunidade (juntamente com a Fátima) de ver o filme "O filho de mil homens", com Rodrigo Santoro e Miguel Martines pela Netflix.

- Mas esse não é o menino de Araçatuba? - perguntei para a Fátima.

- Sim, é ele, participou do curta "Fogo no canavial"?, da Fernanda Machado, Edital da Prefeitura de Araçatuba.

Como eu e a Fátima somos envolvidos na cultura de Araçatuba, começamos a conversar sobre a importância da política pública voltada para a Cultura.

Conversei com o jornalista Antônio Reis e fiz-lhe o convite para que fôssemos conversar com os pais, o Miguel, com a família, armado de sua máquina fotográfica (não é celular). Agendamos. Arlindo Martines Júnior e Nataly Lino e Izeli Martines nos recebeu com grande alegria. E assim fomos perguntando.

Miguel Martines ao assistir no cinema mesmo: "Detetives do prédio azul" disse à mãe: 

- Em breve, estarei nas telonas!  

Como menino deseja aleatoriamente as profissões, sua mãe ouviu e calou-se. Mas ele insistiu, então tomou suas providências. Vai que dá certo, Nataly e Júnior não queriam ser pais castradores.

Fernanda Machado anunciou que precisava contratar um ator mirim. Edital da Prefeitura. Gente e mais gente se inscreveram, mas o escolhido foi Miguel Martines. 

- Se não fosse essa oportunidade em Araçatuba, certamente não teria continuado - disse Nataly.

O filme "O filho de mil homens" foi baseado no livro do escritor português Válter Hugo Mãe, que esteve na estreia do filme aqui no Brasil. A família ficou acompanhando as filmagens por cinco meses, em Búzios (RJ) e Igatu (BA), filmando e fazendo as tarefas escolares. 

Aos 117.º aniversário de Araçatuba, sentimos que ela ganha feição cultural, basta sonhar grande. Seus artistas são exemplos, o menino Miguel Martines desafia as distâncias. 

Foto: Divulgação

Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Membro das academias de letras de Araçatuba, Andradina, Penápolis e Itaperuna.

** Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação

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