Opinião

Educação 1.9: seja bem-vinda!

"A escola, doravante, será um lugar de passagem, para debates, tirar dúvidas, usar o laboratório, pois não mais é necessária a existência de uma biblioteca física, secretaria, departamento de RH, marketing (...)"

Mauricio de Carvalho Salviano*
11/11/20 às 18h20

Quem está no meio educacional já deve ter ouvido aquele chavão que diz que atualmente, o único resquício do século 20, está na escola, isto é, ao chegar na sala de aula, encontramos os alunos sentados em fileiras de carteiras, com um professor no centro, dotado de autoridade única do saber.

Com esta pandemia, sumiu a sala de aula e o professor, definitivamente, não é o centro das atenções.

Quem leciona ou lecionou nesta quarentena pode perceber que nem atenção o professor recebeu durante as aulas, sendo que analogias circulam no meio acadêmico, como a de que se pratica agora “aulas espíritas”, onde o docente fala com quem não vê (no computador) e raramente alguém responde do outro lado.

A interação só ocorre quando é instigada, duramente, ou de forma espontânea quando a matéria fica interessante a um determinado aluno.

Assim, de um modelo fordista-taylorista da educação, ou seja, fabril, cadeiras enfileiradas, conteúdo extenso e rígido de disciplinas, agora, após o momento da covid-19, será que entraremos no modelo toyotista, mais flexível, multifuncional por parte do aluno e do professor, terceirizando as funções de ensino a outros “players” fora da escola também?

Professores definitivamente não estão preparados para este momento, caso ele venha, quando o aluno aprenderá fazendo (aprender a aprender) e escolhendo o que conhecer. Só que os alunos também terão dificuldades com a carga de responsabilidade que terão neste modelo de ensino.

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Sabem o que mais terá que mudar? A estrutura da escola. O modelo atual de sala de aula deve ser descartado. Em vez de carteiras enfileiradas, que tal mesas redondas, onde cada um pode se olhar e debater ideias; lousas espalhadas no ambiente de ensino, para cada aluno escrever suas ideias, colar “post it”, desenhar; computadores com data-show integrados a uma rede wi-fi onde os alunos podem, a partir de seus celulares, projetarem o que encontraram de interessante na rede mundial de internet?

Conhecendo que o mundo do ensino ganhou – definitivamente – o apoio das aulas on-line, esta terceirização em desfavor do professor (que ganhou um concorrente fortíssimo) ajudará a escola a diminuir de tamanho. Prédios imensos perderam o sentido. A escola, doravante, será um lugar de passagem, para debates, tirar dúvidas, usar o laboratório, pois não mais é necessária a existência de uma biblioteca física, secretaria, departamento de RH, marketing, estacionamento gigante, pois tudo está ao alcance do seu dedo, no smartphone.

Por conta de tudo isso, seja bem-vindo à educação pós-pandemia, que podemos chamar de 1.9 (e não 2.0), em referência à covid-19.

*Mauricio de Carvalho Salviano é pós-graduado em metodologia e didática do ensino superior, MBA em gestão executiva e mestrado em direito pela PUC-SP

** Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação.

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