Opinião

Empresas, quarentena e soluções para a continuidade

"Com algum tempo de observação prática (e também teórica) sobre empresas, mercados emergentes e de novas tecnologias, a ideia aqui é expor aos empresários e àqueles que vivem no ambiente de empresas sobre quais as chances da recuperação das vendas no agora e no pós-pandemia"

Daniel Barile da Silveira*
09/07/20 às 19h00

Demorei um pouco para escrever este artigo, uma vez que percebo que muitas pessoas, precipitadamente, lançaram soluções mágicas na internet, como um antígeno à crise da pandemia. Nas primeiras semanas de abril, já havia gurus que traçavam como deveriam se comportar as pessoas, empresas e o mercado. E aqueles que previam como o mundo seria dali a 50 anos.

O fato é que ninguém enxerga para onde o furacão caminha, estando no meio dele. É preciso alguma observação. Por isso que me dediquei a observar o mercado e a ler e estudar (muitas) análises para produzir este texto aqui conduzido. Com algum tempo de observação prática (e também teórica) sobre empresas, mercados emergentes e de novas tecnologias, a ideia aqui é expor aos empresários e àqueles que vivem no ambiente de empresas sobre quais as chances da recuperação das vendas no agora e no pós-pandemia. As transformações que a quarentena trouxe são grandes, já sabemos, mas vamos às sugestões, que é o que interessa.

A primeira orientação é diversifique a forma de monetizar seu negócio. Significa que, de padarias, postos de combustível, lojas de cosmético a hamburguerias, todos devem pensar em criar formas diferentes de apresentar o seu produto ou negócio. Isso se aplica aos prestadores de serviços também. Fazer a mesma coisa não será suficiente; logo, criar espaços para novos produtos, novos serviços, formas diferentes de entrega, novos preços, novas prioridades e custos; tudo que gira ao redor da palavra “inovar” merece o destaque. E inovar não é criar algo novo sempre, mas também pensar aquilo que se faz tradicionalmente, de forma diferente.

A segunda é: digitalize-se. Não adianta mais gastar recursos só em ambientes físicos. A regra agora é investir em marketing on-line. Onde estão as pessoas agora e onde boa parte delas estará no pós-pandemia? Na internet. Ainda que alguns esperem abrir as portas para receber clientes, uma parte das pessoas não estará lá mais, porque se acostumaram ao on-line.

Do vendedor de trufas até à pessoa que vende seguros, todos devem estar na internet. Vale a pena prestar atenção nos anúncios no Google Ads, criar páginas no Facebook, Instagram, parar para ler sobre marketing digital, conhecer os aplicativos que reúnem serviços (como iFood, Rappi etc.). E o profissional liberal que não está no Linkedin, é hora de correr para fazer sua conta e usar a ferrramenta. Só existem duas empresas a partir de então: a que se digitaliza e a que desaparece.

Terceiro ponto: experiência do usuário é um caminho certo para a fidelização da clientela. O que é isso? É proporcionar uma experiência de atendimento impecável e rápida ao cliente. De advogados a manicures, de lojas de artigos esportivos a restaurantes, proporcionar uma experiência agradável de atendimento é a chave do negócio. Como as pessoas têm mais tempo de acesso à internet, mais é possível comparar.


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Na prática, isso significa, orientar os funcionários a atender bem o telefone, redigir um e-mail; receber um atendimento exemplar na encomenda ou entrega de um produto/serviço destacará a empresa no mercado. E a rapidez é o lema número 1. Com o tempo veloz e a internet na palma da mão, qualidade e velocidade de resposta devem ser hinos cantados diariamente.

E o quarto elemento de hoje, a estratégia. Pensar (ou repensar) o modelo de negócio é fundamental. Aqui vale algumas perguntas: o que fazer (quais produtos/serviços valem a pena)? Para quem (quem é meu público antigo e novo)? Como vou atingi-los (quais as ferramentas para engajar esse público a comprar)? Onde (em que local depositarei esforços para concentrar o funil de compradores)? E, por fim, por quê? Sim, qual o propósito para continuar trabalhando, gerando resultados e renda. Por isso no papel (ou em um quadro, com “post its”) ajuda muito a ver o processo.

Se reinventar é a nova palavra, pensar diferente é a nova lei.

Foto: Arquivo pessoal

*Daniel Barile da Silveira é advogado empresarial em Araçatuba, professor e pós-doutor em direito pela Universidade de Coimbra.

** Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação.
 
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