Opinião

Entre a glória temporal e a glória eterna: o moralismo de ocasião e a falência da razão pública

"Quando a fé se torna ferramenta de poder, a política perde o rosto humano - e o Estado se ajoelha diante dos próprios mitos"

Renan Salviano
11/10/25 às 13h21

“O amor da glória temporal era a perdição das almas, que só devem cobiçar a glória eterna”. 

Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas 

Ao tentar alcançar quem se encontra numa disputa ideológica — mas que, paradoxalmente, atribui caráter pejorativo ao próprio conceito que sustenta — nossas palavras parecem cair no vazio. Luta-se, agora, para fugir dos mesmos rótulos que outrora foram criados com o propósito de segregar.

Vivemos, senhores, o espetáculo da manipulação cognitiva: seres humanos que rejeitam a própria humanidade e, ao fazê-lo, negam também a dignidade àqueles tornados invisíveis pelo Estado — esse mesmo Estado que os transforma em figurantes das suas “celebridades cativas”.

Visível, portanto, é apenas quem te contempla; quem te auxilia nas ações em nome do Estado para manter uma imagem caridosa, assistencialista e guardiã de uma moralidade difusa — uma moralidade que nem entre seus próprios defensores encontra consenso. Ah, talvez devessem mesmo voltar a ser transportados por equinos, meu caro... Ora, oro.

Estamos cá, observando as vergonhosas articulações daqueles que insistem em profanar a política — ofício de respeito — por meio de seus escândalos e interesses privados, emaranhados no desejo de poder.

Lembrem-se: sois representantes políticos de grupos específicos, sim, mas sois também regidos por uma autoridade maior — a Constituição Federal de 1988. A propósito, valeria revisitar os artigos 3º e 5º da referida Carta Magna.

Foto: Divulgação

Renan Salviano 

Advogado e especialista em Educação em Direitos Humanos pela Universidade Federal do ABC (UFABC). 

** Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação

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