Há quem sustente que esse imposto nunca será instituído, porque a maioria dos congressistas seriam atingidos e não teriam interesse na sua aprovação. No Brasil existe projeto de lei que estabelece que uma “grande fortuna” poderia ser equivalente hoje, em valor atualizado, em cerca de R$ 5.000.000,00 (cinco milhões de reais).
Argumento contrário à cobrança desse imposto é que ele já incide sobre a renda e seria injusto atingir também o patrimônio. Imagine-se a incidência do IPVA - imposto sobre a propriedade de veículos automotores - e do IGF - imposto sobre grandes fortunas, sobre o mesmo automóvel, ou do IPTU – imposto sobre a propriedade territorial urbana - e do IGF sobre o mesmo imóvel.
Outro argumento contrário é sobre a possibilidade de os “ricos” transferirem seus domicílios e bens para outros países, onde não exista tal imposto, para deixarem de pagá-lo. Se isso ocorresse no Brasil, talvez resultaria num “tiro pela culatra” , já que a arrecadação poderia diminuir ainda mais com a transferência do domicílio/bens dos ricos para outros países, podendo por consequência aumentar a camada dos menos favorecidos no país.
Outro argumento contrário à cobrança do IGF é que poderia desestimular o empreendimento pelos “ricos”. Conforme artigo publicado no “Observatório de Política Fiscal”, por João Pedro Loureiro Braga e Manoel Pires, o número de países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) que cobram impostos sobre grandes fortunas caiu de 12 em 1990 para 4 em 2017, mantendo-se a cobrança na França, Noruega, Espanha e Suíça.
No sentido favorável à cobrança do imposto, argumenta-se que se poderia como estratégia, taxar-se menos o consumo e desonerar folha de pagamento, para instituir o IGF, que poderia gerar bilhões de reais aos cofres públicos do Brasil e mais empregos.
Enfim, a pergunta que não quer calar: a instituição e cobrança desse imposto no Brasil é justa ou injusta? Isso nos remete à reflexão do gênio Willian Shakespeare, que na obra “O Menestrel” ensina: “Não importa quanto delicada seja uma situação, ela sempre tem dois lados”. Você decide!
