Diante de tanta turbulência política no cenário nacional, o que se viu na Câmara de Araçatuba (SP) na manhã desta quarta-feira (11) foi um exemplo de que a comunidade tem sim o poder de fazer com que os políticos eleitos para representá-la trabalhem de acordo com o seu interesse, apenas se mobilizando e cobrando os seus direitos.
Com o plenário da Casa cheio, os parlamentares não só retiraram da pauta projeto que quase dobraria o valor da remuneração mensal dos vereadores da próxima legislatura, como dois projetos que foram declarados aprovados acabaram sendo rejeitados quando foi pedida a verificação de voto, ou seja, todos os parlamentares tiveram que divulgar se eram favoráveis ou contrários a eles.
O que chama a atenção é que após a presidente da Câmara, Cristina Munhoz (União Brasil), ter informado que ambos projetos haviam sido aprovados, foi feita a verificação dos votos e o painel mostrou que apenas dois dos parlamentares presentes votaram pela aprovação nos dois casos, com outros 11 vereadores sendo contrários.
Não há dúvida de que foi a presença do público no plenário que fez com que os projetos fossem rejeitados, tanto que houve vereador que mudou o voto ao ouvir reclamações assim que o painel eletrônico mostrou como ele havia votado.
Num tempo em que grande parte da população usa as redes sociais para reclamar, mas não age, até mesmo os parlamentares se surpreenderam com a quantidade de pessoas que compareceu para acompanhar a sessão, que foi realizada às 10h, horário em que a maioria está trabalhando.
E teve vereador que se declarou contrário aos projetos, que condenaram a convocação da sessão para este horário, justamente porque dificultaria a participação da população. Arlindo Araújo, por exemplo, destacou que havia segurança reforçada pela Guarda Municipal e a presença de policiais militares, o que é incomum, justamente porque a Mesa Diretora, autora dos projetos polêmicos que atenderiam apenas os interesses da própria Casa, já previa que haveria pressão popular.
Um ponto positivo a ser destacado é que a iniciativa da Mesa Diretora de anunciar a retirada da pauta do projeto que aumentaria os subsídios no início da sessão poderia fazer com que a plateia deixasse o plenário. Entretanto, a grande maioria do público permaneceu até o final dos trabalhos, que duraram cerca de uma hora e meia.
Se tem um ponto negativo, foram os bate-bocas entre pessoas que faziam parte da plateia e até de vereadores com parte do público, deixando claro que grande parte da população está com "os nervos à flor da pele" e é preciso que tanto as autoridades como a comunidade, repensem suas atitudes, se quisermos uma sociedade melhor.
A presidente da Câmara inclusive suspendeu a sessão por 30 minutos, logo no início, alegando que não havia condições de dar andamento aos trabalhos devido à manifestação do público, o que é proibido pelo regimento interno.
Mais tarde, já na parte final dos trabalhos, ela pediu para que os guardas municipais retirassem um cidadão que estava mais exaltado e havia iniciado uma discussão com um dos vereadores. Porém, os guardas não precisaram intervir, pois o cidadão deixou o plenário por iniciativa própria.
A imprensa de Araçatuba teve papel importante, divulgando a realização da sessão e também acompanhando as discussões. Equipes de reportagens de vários veículos de comunicação, incluindo TVs, rádios, jornais e sites, cobriram a sessão do começo ao fim.
O que se espera é que mobilizações como essa ocorram com mais frequência e a população cumpra esse papel de fiscalizar e cobrar aqueles que foram eleitos para representá-la, para que os interesses da comunidade sejam atendidos e não apenas interesses particulares, de algumas minorias.
O Hojemais Araçatuba , como órgão de imprensa, continuará exercendo o seu papel, de informar e tentar acompanhar tudo o que acontece, sempre ouvindo a comunidade, para que cada vez mais pessoas tenham conhecimento das decisões que irão definir o futuro de nossa cidade!
