Opinião

Novo lockdown na China

Soma-se a este cenário a guerra no leste Europeu e a inflação mundial que reforçam os desafios para o Brasil

Walter Roque Gonçalves*
29/04/22 às 22h15

O porto de Xangai é considerado o maior do mundo quanto à movimentação de contêineres, por conseguinte um dos mais importantes para o comércio internacional. Com o novo lockdown decretado em um dos núcleos financeiros globais, o movimento de pessoas e cargas estão impedidos. Desta forma, indústrias e comércios espalhados pelo mundo podem verem-se novamente diante da falta de suprimentos, matérias-primas e produtos para viabilizar suas atividades. Soma-se a este cenário a guerra no leste Europeu e a inflação mundial que reforçam os desafios para o Brasil.

Entre os fatores que levam ao aumento de custos no frete dos produtos transportados pelo mar, está o risco do transporte de cargas em navios nas proximidades das regiões de conflito, e para compensar tal perigo existe a possibilidade de sobretaxas conhecidas como "cláusula de guerra”.

Para se ter ideia, segundo a BBC News, os principais produtos exportados por Xangai que certamente enfrentarão reflexos do lockdown são: máquinas de lavar, aspiradores, painéis solares, componentes eletrônicos e têxteis.  

O outro lado desta mesma moeda são as exportações do Brasil para a China. Houve uma época em que as exportações do nosso país para a populosa nação da Ásia Oriental não representavam 2%. Hoje, passa dos 30%. Os atrasos nos portos encarecem o custo logístico de transporte e refletem no preço final dos produtos, podendo levar, segundo o Ciesp de Campinas, G1, ao desabastecimento de insumos para o mercado automobilístico, farmacêutico, eletrônico e do agronegócio.

Além de enfrentarmos as consequências da primeira onda de pandemia, a guerra Rússia versus Ucrânia, insegurança jurídica e política, pressão inflacionária, risco de desabastecimento de insumos, haverá também reflexos no mercado de importação de produtos acabados, tendo em vista que a grande maioria dos países fornecedores destes, dependem de insumos oriundos da Ásia Oriental. Se o desafio é o combustível da inovação e criatividade, temos uma dose extra com o novo lockdown na China.

(Foto: arquivo pessoal)

*Walter Roque Gonçalves é professor executivo FGV, consultor de resultados especializado em micro, pequenas e médias empresas.
(E-mail: walter@consultoriajk.com.br )


** Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação.


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