Louvável a iniciativa da administração municipal de Araçatuba em se propor a contratar uma empresa para elaborar um Plano Arbóreo Municipal, que irá conduzir as ações e balizar todo o caminho necessário para adequação da arborização urbana na cidade, o que é uma necessidade para melhorar a qualidade de vida da população.
Nesta semana foi divulgado pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente o primeiro resultado desse trabalho, que foi o levantamento da extensão de projeção das sombras das copas das árvores em vias públicas e praças da cidade.
Segundo o que foi divulgado, foram identificados 2,69 quilômetros de sombras produzidas pelas árvores na área urbana da cidade, com base em imagens atualizadas de qualidade captadas via satélite.
Com base nesse levantamento, a administração municipal chegou à conclusão de que Araçatuba saiu do déficit arbóreo na área urbana. Para fazer essa afirmação e determinar o Índice de Cobertura Vegetal na área urbana do município, foi considerado o somatório das áreas de copa, que foi de 2.690.000 metros quadrados de árvores na zona urbana, dividido pelo número de habitantes da área urbana de Araçatuba.
Entretanto, o cálculo foi feito levando em consideração do censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de 2010, que é o mais recente detalhando a população da zona rural e da zona urbana. Segundo o Censo de 2010, a população urbana de Araçatuba era de 178.077 pessoas na ocasião, para uma população total de 181.579 habitantes.
Com base nesse levantamento, com 11 anos de defasagem, chegou-se ao índice de 15,1 metros quadrados de copas de árvore para cada morador da zona urbana. Segundo a Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade, hoje o índice mínimo recomendado, internacionalmente, é de 15 metros quadrados de copas de árvores para cada morador da área urbana. Ou seja, ainda assim, Araçatuba estaria no limite.
Além disso, o município informa que esse índice é citado pela ONU-Habitat, com base em diversos estudos mundiais, mas o ideal seria uma cobertura de 20% de toda a área urbana com copas de árvores nativas para um progresso mínimo rumo à melhoria climática da zona urbana.
Apesar de ser o número oficial, o do Censo de 2010, ele não poderia ser usado como base para tal estudo. A própria CMN (Confederação Nacional de Municípios) considera que as estimativas populacionais são fundamentais para o cálculo de indicadores econômicos e sociais-demográficos nos períodos intercensitários.
A entidade defende a realização do Censo como forma de atualizar o vácuo de mais dez anos no que se refere a esses dados, pois os números são um dos parâmetros utilizados pelo Tribunal de Contas da União na distribuição do FPM (Fundo de Participação de Estados e Municípios).
Sem essa atualização com o Censo, é usada uma estimativa populacional do próprio IBGE, que para 2021 previa uma população de 199.210 pessoas, aumento de 9,7% com relação ao Censo de 2010, ou seja, 17.631 pessoas a mais na cidade.
Assim como não há projeção de quantas pessoas migraram da zona urbana para a zona rural, não existe a estimativa contrária, de quantas pessoas deixaram o campo para viver na cidade nos últimos 11 anos. Apesar disso, não se deve desconsiderar que a população urbana não é como a de 2010.
Independentemente da discussão sobre o fim ou não do déficit arbóreo na área urbana de Araçatuba, o importante é que a administração pública tenha estratégias para cada vez mais melhorar a quantidade e a qualidade das árvores existentes na cidade, para garantir uma qualidade de vida melhor e com segurança para a população.
