Opinião

Os direitos humanos na redação do Enem

"É muita informação para você guardar, eu sei. Então, pense da seguinte maneira: tudo aquilo que é ruim fere os direitos humanos. E tudo aquilo que é bom preserva os direitos humanos"

Ayne Regina Gonçalves Salviano*
14/11/20 às 14h00

Você sabia que o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) exige que o candidato ao vestibular respeite os direitos humanos na redação? Sim, é verdade!

Já houve um tempo que quem não respeitasse, ganhava zero e era desclassificado. Hoje, não é mais assim. Mas o candidato que não obedece esse comando acaba recebendo uma nota tão baixa que, geralmente, não consegue classificação para a aprovação. Isso porque só a redação vale 1 mil pontos de um total de 2 mil pontos da prova geral.

Mas de quais direitos humanos se trata? Daqueles previstos na Declaração Universal dos Direitos Humanos divulgada pela Organização das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948. Este documento prevê direitos individuais e coletivos.

Entre os direitos do indivíduo estão o direito à vida, que garante direito à integridade física, à integridade moral e à privacidade. O direito à igualdade e o direito à liberdade, de locomoção, de expressão e de religião.

Nos direitos coletivos assegura-se o direito à informação, à reunião (manifestações e greves), ao trabalho, à saúde, à educação, à moradia, ao consumo, ao meio ambiente e à proteção aos povos indígenas.

É muita informação para você guardar, eu sei. Então, pense da seguinte maneira: tudo aquilo que é ruim fere os direitos humanos. E tudo aquilo que é bom preserva os direitos humanos.

Por exemplo: racismo, machismo, xenofobia, homofobia, gordofobia, discursos de ódio, tudo isso é muito ruim, então ferem os direitos humanos. Já a empatia, o altruísmo, a sororidade e a cidadania são coisas boas. Então, respeitam os direitos humanos.

Na prática, o que isso significa? Que o candidato não deve defender ideias como a pena de morte, a justiça com as próprias mãos, a invasão de terras indígenas ou a manutenção dos discursos de ódio, por exemplo.

Nas propostas de redação do Enem é sempre importante escolher o caminho da cidadania, da ideia que melhor atender a coletividade. Por exemplo, em 2019 a prova perguntou sobre a democratização do cinema no Brasil. A resposta esperada pela banca era que os candidatos defendessem o direito de

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todos os brasileiros terem acesso aos filmes como forma de lazer, diversão, cultura e educação.

Da mesma forma, quando a prova perguntou sobre a inclusão dos surdos nas escolas, o esperado era que o candidato defendesse a necessidade de todas as pessoas envolvidas no processo de ensino-aprendizagem aprenderem libras para a total inclusão destes deficientes.

Redação no Enem é um exercício de cidadania. É obrigatório, sim, respeitar os direitos humanos. A esperança é que isso também se torne uma realidade na sociedade.


Foto: Divulgação

*Ayne Regina Gonçalves Salviano é professora de redação, jornalista e mestre em comunicação e semiótica

** Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação.

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