É comum as pessoas verem o parto normal como um evento altamente perigoso, imprevisível e arriscado e a cirurgia cesariana como uma opção muito mais segura.
Fatores culturais influenciam nessa percepção. Não conhecemos mais os processos naturais e fisiológicos de nosso corpo. Poucas mulheres próximas de nós pariram. O problema é que não há experiências, relatos para partilhar; ficamos sem saber como é, o que esperar…
E aí vem os grandes estigmas: do “parto a ferro” (uso de fórceps, que, vale registrar, hoje é bem diferente do que era há algum tempo); do “se não corta em cima, corta embaixo” (episiotomia, ou “pique”, que os estudos têm cada vez mais provado que raramente é necessária) e tantos outros que fazem com que as mulheres acreditem que todos os partos normais têm que ser dessa forma, com todas essas intervenções. Não acreditamos mais que nosso corpo é capaz de parir sem essas interferências médicas.
De outro lado, muitas vezes ouvimos falar do famoso parto humanizado e o que mais vemos na internet são vídeos ultraeditados, de partos domiciliares (em sua maioria), com lindas músicas de fundo e outras tantas coisas que podem passar a impressão de que parto humanizado é só em casa, é muito caro, para poucas mulheres e com um determinado perfil.
O parto normal não precisa ser um evento que causa medo. Existem riscos? Sim! Não existe gestação sem risco algum, mesmo as mais saudáveis. No entanto, o que a ciência nos mostra é que a maior parte das mulheres é perfeitamente capaz de parir e para a maioria essa é a opção mais saudável (e o mesmo vale para os bebês). As outras, que serão um número reduzido, ou seja, a exceção, essas podem precisar de alguma ajuda na forma de uma intervenção ou mesmo uma cesariana.
Aprendemos a acreditar mais nos equipamentos e tecnologia do que nos processos fisiológicos aprimorados por milhares e milhares de anos. Nossa rotina, nossa “vida corrida” não espera, pede que a gente tente manter o máximo possível de controle sobre tudo. E isso é impossível! Por que não aproveitamos o melhor dos dois mundos?”