A história da humanidade foi marcada por epidemias que causaram milhões de mortes e transformaram sociedades. Esse cenário começou a mudar no final do século XVIII, com o desenvolvimento da primeira vacina contra a varíola. Desde então, o avanço científico permitiu criar vacinas seguras e eficazes, que controlaram doenças e evitaram mortes em todo o mundo.
No Brasil, a vacinação consolidou-se, a partir da década de 1970, como uma das mais importantes políticas públicas de saúde. O país erradicou a varíola, eliminou a poliomielite e reduziu de forma expressiva a ocorrência de doenças imunopreveníveis. Essas conquistas mostram que a imunização está entre as estratégias mais efetivas de proteção da população.
Esse trabalho ganha novo impulso na próxima segunda-feira, 3 de agosto, com o início da Campanha de Multivacinação nos 645 municípios paulistas. A mobilização será voltada à atualização da caderneta de crianças e adolescentes menores de 15 anos, com todos os imunizantes do Calendário Nacional de Vacinação disponíveis nas unidades de saúde. Pais e responsáveis devem levar a caderneta para que as equipes verifiquem as doses indicadas.
Entre as doenças sazonais, especialmente no inverno, a influenza merece atenção. O vírus sofre alterações frequentes, o que exige a atualização periódica das vacinas conforme as cepas em circulação. Embora muitas vezes seja confundida com um resfriado, pode causar pneumonia, agravar doenças crônicas e levar a internações e óbitos, sobretudo entre idosos, gestantes, crianças pequenas e pessoas com comorbidades. A vacinação anual também ajuda a reduzir a pressão sobre os serviços de saúde.
O sarampo está entre as doenças de maior transmissibilidade. O vírus pode permanecer suspenso no ambiente por até duas horas após ser expelido por uma pessoa infectada. A queda das coberturas vacinais favoreceu o reaparecimento de surtos na Europa e nas Américas, incluindo o Brasil. A doença pode causar pneumonia, encefalite aguda e até a morte, principalmente entre crianças menores de cinco anos e pessoas imunocomprometidas. Manter a vacinação em dia é a forma mais eficaz de prevenir casos e evitar novos surtos.
O aumento das viagens e da circulação de pessoas também amplia o risco de disseminação de doenças. Antes de viajar para áreas com circulação do vírus da febre amarela, é importante verificar a situação vacinal e, quando indicada, receber a dose com antecedência.
Já a dengue costuma ter maior incidência no verão, quando o calor e as chuvas favorecem a proliferação do Aedes aegypti, transmissor também dos vírus da zika e da chikungunya. A vacinação contra a dengue integra as estratégias de prevenção para públicos específicos, ao lado do controle dos criadouros.
Em todas as estações do ano, manter a vacinação em dia é um compromisso com a saúde individual e coletiva. Mais do que prevenir doenças, as vacinas preservam vidas, reduzem desigualdades e representam uma das maiores conquistas da ciência em benefício da sociedade.
