Opinião

Que tal acertar o tema da redação com antecedência?

"Textos são construções diárias. Nascem da capacidade de observação, de leitura do mundo, da análise dos fatos, da reflexão sobre eles e, especialmente, do exercício de raciocínio lógico, no caso das dissertações dos vestibulares"

Ayne Regina Gonçalves Salviano*
31/10/20 às 14h00

O sonho da maioria dos candidatos aos vestibulares (e de outros concursos também) é que seus professores de português e/ou redação acertem, com antecedência, em exercícios de sala de aula, o tema que será abordado nas provas.

Estes estudantes acreditam que trabalhando o assunto antes, quando estiverem sob pressão nos exames, se lembrarão dos ensinamentos sobre aquele tópico, do que escreveram no exercício da escola e, principalmente, da correção comentada dando orientações de como melhorar a produção textual.

Claro que essa seria mesmo uma situação ideal. E, às vezes, pode acontecer porque todo professor de redação sabe que a grande maioria dos assuntos cobrados nas avaliações nasce das páginas dos jornais, do noticiário que provoca polêmica ao discutir problemas relevantes para a sociedade.

Assim, estar bem informado especialmente sobre o que acontece no Brasil, já oferece uma grande chance de acertar a temática. Agora, se o aluno vai lembrar da aula ministrada, do que ele próprio escreveu no exercício ou das correções, isso já é mais difícil confirmar porque os estudantes do ensino médio são expostos a uma carga gigantesca de informações diariamente.

Entretanto, este desejo acarreta uma responsabilidade muito grande para o professor de redação. É preciso compreender que ele não está em sala de aula para acertar os temas das provas. Essa não é a responsabilidade do profissional; o seu papel é ensinar a escrever sobre qualquer assunto.

Então, é papel do educador conscientizar seus alunos que não está em sala de aula para ser a “Mãe Dinah” (famosa vidente brasileira dos anos 90), que nem acertou tantas previsões assim.

É importante destacar que em vez de tentar adivinhar os assuntos tratados, é possível ensinar os jovens que a redação é a única questão do vestibular que vem com resposta. Isso mesmo! Não me canso de repetir que, até o candidato que não sabe nada sobre o assunto abordado, encontra ideias na coletânea, nos textos que acompanham a proposta de redação.

 

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As boas provas de redação nos vestibulares, como as do Enem, da Vunesp e da Fuvest, por exemplo, já trazem, pelo menos, os dois pontos de vista da questão para o candidato poder escolher qual vai optar. Assim, um bom leitor se transforma em um bom escritor. Claro que ele não vai copiar os textos (plágio é crime), mas pode, perfeitamente, fazer uma citação formal aqui, uma paráfrase ali ou apenas usar algumas ideias fazendo referências e complementando com o seu conhecimento de mundo.

Textos são construções diárias. Nascem da capacidade de observação, de leitura do mundo, da análise dos fatos, da reflexão sobre eles e, especialmente, do exercício de raciocínio lógico, no caso das dissertações dos vestibulares.

Portanto, meu conselho aos candidatos de vestibulares e outras provas para a redação: não busquem “fórmulas mágicas”, elas não existem. Não queiram “fórmulas prontas”, elas não se encaixam em todos os exercícios. Simplesmente sejam livres para pensar e escrever.

Foto: Arquivo pessoal

 

*Ayne Regina Gonçalves Salviano é professora de redação, jornalista e mestre em comunicação e semiótica

** Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação.

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