Olá, como vai?
Estivemos juntos há 15 dias quando apresentei a você este espaço onde tratarei sobre educação e, especialmente, sobre as redações nos vestibulares.
Hoje, abordarei a prova do Enem, o maior exame do País, que será realizado em janeiro de 2021 por causa da pandemia. Ou seja, ainda dá tempo de treinar bastante. Anime-se!
Serão mais de seis milhões de candidatos disputando as vagas das universidades públicas federais, algumas estaduais e muitas particulares, uma vez que o Enem já é aceito como “porta de entrada” em quase todas as instituições de cursos superiores do País e algumas internacionais, com destaque para Portugal.
A prova do Enem é feita em dois dias e a redação acontece no primeiro, junto com questões de múltipla escolha de outras áreas do conhecimento. Todo o exame soma dois mil pontos, sendo que somente a questão de redação vale um mil pontos, ou seja, metade da prova.
Por isso é importante garantir a maior nota possível. A média entre os candidatos no ano passado ficou entre 500 e 600 pontos, mas sabe-se que para ter chance de aprovação em cursos concorridos, o candidato precisa tirar acima de 800 pontos na redação. Se o curso desejado for medicina, essa média sobre para 900 pontos.
A redação no Enem é uma dissertação argumentativa, o que exige do candidato um posicionamento crítico sobre o tema e argumentos de que seu raciocínio tem sentido lógico. A diferença do exercício do Enem para os demais vestibulares é que na última etapa, a conclusão, o candidato precisa sugerir intervenções para minimizar ou resolver o problema discutido.
Esse problema é, geralmente, uma questão social, por exemplo a democratização do acesso ao cinema no Brasil e a inclusão de pessoas surdas no ambiente escolar. Muitos candidatos ficam tentando descobrir qual será o tema. Acreditam que se treinarem antes, terão mais chances. Mas o correto é pensar nas estratégias para todos os temas possíveis. E elas existem.
Meu primeiro conselho é que, na hora da prova, você leia o tema e marque as palavras-chave dele para repeti-las no primeiro parágrafo enquanto se posiciona. Por exemplo, no tema “a persistência violência contra a mulher no Brasil”, as palavras-chave são: persistência, violência, mulher e Brasil. Se você escrevê-las no primeiro parágrafo em algum momento, vai ter a certeza que não tangenciou a proposta, nem reduziu e nem extrapolou o assunto a ser tratado.
Outra dica importante é destacar sua opinião desde o primeiro parágrafo, assim você orienta a leitura do corretor. Ele sabe o que procurar na sua argumentação.
Vale destacar que seu ponto de vista precisa respeitar os direitos humanos e deve ser escrito de maneira impessoal, portanto opte por textos em terceira pessoa. Jamais use a primeira pessoa do singular (eu, minha, para mim etc).
Em 15 dias voltarei para te ensinar como aproveitar melhor seus argumentos, mas especialmente, como fazer as intervenções.
Foto: Arquivo pessoal
*Ayne Regina Gonçalves Salviano é mestre em comunicação e semiótica, jornalista e professora de redação em Araçatuba e cidades da região