Ao lado de dezenas de compositores e intérpretes, Carmen ajudou a popularizar o que hoje conhecemos como samba. A “Pequena Notável”, apelido que ganhou do radialista César Ladeira devido ao seu grande sucesso e baixa estatura, bateu vários recordes.
Ela foi a primeira mulher a fazer publicidade no rádio. Por causa dela, o governo do presidente Getúlio Vargas, em plena ditadura do Estado Novo, permitiu que as emissoras vendessem espaço na programação, profissionalizando o veículo e beneficiando centenas de profissionais.
Foram muitos sucessos nesse período como “Uva de Caminhão”, “Minha Embaixada Chegou”, “Me dá, Me dá”, “E O Mundo não se Acabou”, “Ela Diz Que Tem”, “Camisa Listada”, “Recenseamento”, “Mamãe Eu Quero” e aquela que viria a eternizar a personagem e que a levaria para os Estados Unidos, “O Que É Que a Baiana Tem?”, composição de Dorival Caymm
Ainda no Brasil, e com apenas 30 anos, ela tinha contratos com gravadoras como a RCA, era amiga de pessoas importantes no governo e estrela do famoso Cassino da Urca. Foi lá que conheceu um milionário dono de teatros americanos, assinou um contrato e zarpou num navio para a Broadway com pompas e honras de Estado. Era o Brasil indo vencer na América.
Nos Estados Unidos, não demorou muito e se tornou um sucesso em Hollywood. Carmen foi, providencialmente, um símbolo da “política da boa vizinhança”, que consistia no lançamento de filmes ambientados em países da América Latina como Cuba (sim antes do embargo), Argentina e Brasil.
A primeira aparição de Carmen nas telonas da terra do “Tio Sam”, foi em “Serenata Tropical”, vestida com seu turbante e balangandãs, cantando “South American Way”.
As histórias desses filmes eram muito vagas e Carmen fazia basicamente o mesmo papel relegado às estrelas latinas na época pela indústria cinematográfica. A latina temperamental. Entretanto, seus números musicais eram um sucesso e fizeram com que sua popularidade e sua baiana a transformassem num fenômeno.
Em 1945, Carmen Miranda foi a mulher mais bem paga dos Estados Unidos. Era uma profissional que não tinha medo de pegar no batente e que pagaria caro por isso. Carmen chegava a se apresentar até seis vezes por noite.
Ela tinha poucas exigências, mas uma delas era sempre cantar em inglês ou em português, a língua do seu país. Naquela época, e até hoje, muitos americanos pensavam que no Brasil se falava espanhol.
Carmen Miranda morreu de enfarte aos 46 anos no dia 5 de agosto de 1955, em sua casa em Los Angeles, mas suas marcas na música, no cinema, na moda e no jeito de ser dos brasileiros e, principalmente de como o mundo enxerga o Brasil, permanecem até hoje.
Foto: Arquivo pessoal
*Guilherme Leal é jornalista, assessor de imprensa e apreciador da história artística popular brasileira, desde a música sertaneja raiz até o “quem matou Odete Roitman?”.