Opinião

Televisão completa 70 anos no Brasil com forte concorrência do streaming

"A televisão brasileira chega a sete décadas diante do desafio de se atualizar como meio de comunicação, depois de acompanhar tendência mundial de ataques por parte de alguns políticos e setores da sociedade, e de sofrer com a concorrência da internet"

Guilherme Leal*
18/09/20 às 08h00

Durante muitos anos a televisão foi o principal meio de entretenimento na casa dos brasileiros. Nesta sexta-feira, dia 18 de setembro, comemora-se os 70 anos da inauguração da TV Tupi, data que marca sete décadas de TV no Brasil.

A nossa televisão é reconhecidamente uma das melhores do mundo. E esse reconhecimento se deve ao trabalho de uma série de profissionais, artistas, técnicos diretores e auxiliares que construíram o veículo. Pessoas que passaram por emissoras já extintas como a própria TV Tupi de São Paulo, TV Rio, TV Paulista, TV Excelsior e antiga TV Record.

Walter Foster e Vida Alves (Foto: Reprodução)

Na década de 1950, Assis Chateaubriand já era um magnata das comunicações e conseguiu o prestígio necessário para a empreitada ambiciosa de fundar a primeira emissora de televisão da América do Sul.

No Brasil, sequer tínhamos aparelhos de televisão, foi necessário “contrabandear” 200 equipamentos e espalhá-los em pontos movimentados de São Paulo como a avenida Paulista e o estádio do Pacaembu para que as pessoas pudessem assistir TV. Autoridades também receberam alguns exemplares.

Os profissionais que fizeram a nossa televisão vieram do rádio. Vem daí a nossa predileção histórica pelas novelas. Diferentemente dos Estados Unidos, por exemplo, que tiveram seus pioneiros egressos do cinema e se especializaram na produção de séries.  

A primeira novela diária feita no Brasil foi “2-5499 Ocupado”, protagonizada por Tarcísio Meira e Glória Menezes. Depois disso, milhares de títulos foram produzidos por praticamente todas as emissoras.

Quer ver só como você deve ter acompanhado do início ao fim pelo menos uma delas? “Vende-se Um Véu de Noiva”, “Estúpido Cupido”, “O Direito de Nascer”, “Os Imigrantes”, “Éramos Seis”, “Pecado Capital”, “Mulheres de Areia”, “Sinhá Moça”, “Cabocla”, “Pantanal” e assim por diante.

Seria injusto citar os pioneiros pelo grande risco de se esquecer alguém, mas como nós temos tradição de não respeitar o legado dos mais velhos, é preciso enfatizar a importância de nomes como Lima Duarte e Lolita Rodrigues que estavam no prédio da Tupi, no Sumaré, em São Paulo, no dia da inauguração, em 1950; Hebe Camargo, que foi ao porto de Santos receber os aparelhos, e Cassiano Gabus Mendes, que montou a primeira grade de programação.

Juntam-se a eles nomes que ainda estão na ativa e outros que já nos deixaram. Nomes como Walter Foster, Vida Alves, Inezita Barroso, Nair Belo, Ronald Golias, Lúcio Mauro, Walmor Chagas, Cleide Yácones, Natália Thimberg, Yoná Magalhães, Homero Silva, Wilma Bentivigna, Fernanda Montenegro, Ruth de Souza, Paulo Altran, Tatiana Belinky, Laura Cardoso, Aracy Balabanian, Silvio Santos, Bolinha, Chacrinha, Flávio Cavalcante e muitos outros.

Presente em 98% do território nacional, a televisão também foi responsável por promover acesso à informação aos brasileiros. Por meio do jornalismo, foi possível ver nestes 70 anos o ataque ao Wolrd Trade Center, nos Estados Unidos, a conquista do penta pela seleção brasileira em 2002, além de momentos trágicos como a morte do piloto Ayrton Senna, em 1994.

Futuro

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Hebe Camargo um dos ícones da TV brasileira (Foto: Reprodução)

A televisão brasileira chega a sete décadas diante do desafio de se atualizar como meio de comunicação, depois de acompanhar tendência mundial de ataques por parte de alguns políticos e setores da sociedade, e de sofrer com a concorrência da internet.

Pela rede mundial de computadores, temos o streaming como seu principal rival. Atualmente, as emissoras estão se organizando de modo a diminuir custos, reduzindo folha de pagamento e otimizando a produção para poder fazer frente a produtores internacionais de conteúdo como Disney, Netflix e Prime Video. Canais menores, como TV Gazeta e TV Cultura, já disponibilizam toda a programação de forma gratuita no Youtube.

Em meio a prognósticos, certeza apenas que, seja por meio do tablet, do celular ou da tecnologia smart, o brasileiro ainda vai consumir  televisão. Prova disso foi a alta audiência durante a quarentena e as discussões acaloradas sobre a programação da TV que consome as redes sociais.

“Olê, Olê, Olá!”... “Passarinho quer dançar, o rabinho balançar”.... “Roda Roda Roda e Avisa”... “Oloko Meu, Quem Sabe Faz ao Vivo!” Faz mesmo. E faz tudo isso há 70 anos.



*Guilherme Leal é jornalista, assessor de imprensa e apreciador da história artística popular brasileira, desde a música sertaneja raiz até o “quem matou Odete Roitman?”

* * Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação.

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