Opinião

TOUCH/ hibakusha

"No enredo, bem devagar, romântico, sendo um dos destaques da história é que a humanidade influencia na vida das pessoas"

Hélio Consolaro*
12/08/26 às 16h01
Foto: Reprodução

Os filmes de que mais gostei de assistir na vida adulta foram recomendados por amigos e parentes. E não faço questão de acompanhar os últimos lançamentos, sempre escapam filmes bons.

A Fátima conhece o meu gosto, viu TOUCH (2024), que significa em inglês tocar (tato) ou tocar (emocionar), e me recomendou. Pela Netflix.

No enredo, bem devagar, romântico, sendo um dos destaques da história é que a humanidade influencia na vida das pessoas; daí a palavra japonesa “hibakusha”, que significa "pessoas atingidas pela bomba de Hiroshima". Gente rejeitada por conter efeitos da radiação. Miko era hibakusha, por isso voltou para o Japão com o pai, fugindo de Kristófer. 

Por que as histórias dramáticas dos povos nórdicos, é o caso de Touch, não são iguais em clima como as latinas. Trata-se de representar as próprias características do espírito daquele povo. As latinas são melodramáticas. Exemplo: novelas brasileiras na TV.   

Sinopse

O ponto de partida do romance drama é uma consulta médica. Kristófer (idoso), viúvo e dono de restaurante na Islândia, ouve do médico que há deterioração avançada de sua memória e que é hora de resolver assuntos pendentes enquanto ainda for possível. Então buscou Miko, o seu grande amor, pelo mundo. Ele era viúvo e tinha uma filha.

Não se trata de uma busca carnal, mas de um velho querendo saber como está sua antiga namorada com quem curtiu um grande amor. Nesse encontro, há uma grande descoberta. Não vou dar spoiler. 

O roteiro oscila entre 2020, com Kristófer (idoso) chegando a Londres nos dias que antecederam o lockdown global (pandemia covid 19); e 1969, quando um jovem islandês radical largou um doutorado na London School of Economics para trabalhar na cozinha de um restaurante japonês. Uma história que corre paralelamente presente e passado, a exemplo do livro “Olhai os lírios do campo”, de Érico Veríssimo.

No filme não há perseguições de carros, nem violência nas paixões. É para assistir e encher os olhos.

Ficha

10 de outubro de 2024 para filmes online | 2h 01min | Drama, romance

Direção: Baltasar Kormákur | Roteiro Ólafur Jóhann Ólafsson, Baltasar Kormákur

Elenco: Egill Olafsson, Pálmi Kormákur Baltasarsson, K?ki

Título original Snerting

Touch é adaptação do romance homônimo de Ólafur Jóhann Ólafsson, publicado em 2022 e roteirizado pelo próprio autor em parceria com Kormákur. 

Foto: Divulgação

Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Membro das academias de letras de Araçatuba, Andradina, Penápolis e Itaperuna

** Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação

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