Foi suspensa a aplicação de polilaminina em um paciente de 27 anos, prevista para ocorrer na tarde de sábado (6), na Santa Casa de Araçatuba (SP). Ele ficou paraplégico após ser atingido por um disparo de arma de fogo em Araçatuba (SP), em fevereiro deste ano.
A substância está sendo utilizada de forma experimental em pacientes com lesões graves na medula espinhal. Segundo o que foi informado, durante os exames prévios realizados na tarde de sábado, a equipe médica constatou que o paciente já apresenta melhora espontânea do quadro clínico, mesmo sem a medicação.
Segundo o coordenador do Serviço de Neurocirurgia da Santa Casa de Araçatuba, médico Daniel Rodrigues, a aplicação de polilaminina é exclusiva para pacientes que estão totalmente paralisados.
Ele explica que como o procedimento é invasivo, em que se introduz uma agulha na medula, pode ocorrer de vir a acontecer alguma lesão durante o procedimento, o que colocaria em risco a evolução já apresentada por esse paciente de Araçatuba, de forma espontânea.
“A Anvisa libera a aplicação em pessoas com lesão medular completa, onde não existe nada de sensibilidade, nada de movimento, que não foi o caso de hoje, pois ele apresenta algumas sensibilidades em regiões de nervos mais inferiores, ou sejam se os nervos inferiores têm comunicação, os nervos acima também têm chance de com o tempo, começar a recobrar a transmissão e recuperar a sensibilidade”, explicou.
Lesão
O jovem participava de uma confraternização no residencial Porto Real, na noite de 14 de fevereiro, quando foi atingido por um disparo de arma de fogo. “Eu só senti que fui atingido e caí no chão”, contou ao falar com a imprensa antes de passar pelos exames que confirmariam ou não a possibilidade de aplicação do medicamento experimental.
Segundo o que foi informado, o projétil atravessou tórax, abdômen e coluna vertebral do paciente, causando uma grave lesão medular na altura da vértebra T12, fazendo com que perdesse os movimentos das pernas.
O jovem contou que ficou 13 dias internado e precisou readaptar toda a casa para conviver com a nova realidade. Ele tinha esperança que com o a aplicação da Polilaminina, pudesse retomar totalmente os movimentos em um futuro próximo.
Indicação
Relatório da médica Isabella Fernandes Rigazzo, que acompanha o paciente e o inseriu no protocolo “Tratamento da Lesão Raquimedular com Injeção de Polilaminina”, em uso compassivo, aponta que antes dos exames para o procedimento, o paciente apresentava quadro compatível à paraplegia, nível sensitivo de T 11 e disfunções neurogênicas.
O procedimento seria realizado em uma das salas do Bloco Cirúrgico da Santa Casa de Araçatuba, com participação dos neurocirurgiões. Olavo Borges Franco e João Elias Ferreira El Sarraf, que integram o protocolo de pesquisa.
Esta seria a segunda aplicação de polilaminina em um paciente da região de Araçatuba, já que em abril, outro paciente passou pelo procedimento no hospital e segue em tratamento, para acompanhamento dos resultados.
