A secretária municipal de Saúde de Birigui (SP), Cássia Rita Santana Celestino, pediu desculpas pelas mortes de crianças ocorridas recentemente no município e insistiu para que a população comece a utilizar a Ouvidoria para denúncias contra o mau atendimento na rede municipal de saúde.
O canal seria a escuta qualificada para esses casos e possibilita uma ação mais efetiva do município na fiscalização de gestões terceirizadas, como a do pronto-socorro, que está sob comando da OSS (Organização Social de Saúde) BHCL (Beneficência Hospitalar de Cesário Lange).
Cássia foi ouvida na manhã desta quinta-feira (26), após convocação da comissão permanente de Saúde e Saneamento da Câmara, composta pelos vereadores Osterlaine Henriques Alves, a Dr.ª Osterlaine (DEM), Wagner Mastelaro (PT) e Everaldo Santelli (PV), para falar supostas falhas ao atendimento prestado na unidade de urgência e emergência do município, mais especificamente da morte de duas crianças. Uma delas, a da menina Ana Clara, de 12 anos, ocorrida no dia 23 de abril, por suspeita de meningite, e a outra, de um menino de 9 anos, no dia 8 deste mês, por suspeita de dengue.
Sindicância
“Em primeiro lugar, eu gostaria de dizer publicamente, diante da população, que eu sinto muito por essas perdas. Eu sou mãe também, tenho dois filhos. Quero pedir desculpas a essas famílias porque sabemos que perder um ente querido é muito triste”, falou sobre os óbitos.
A secretária disse que o município abriu uma sindicância interna e notificou a empresa (no caso, a BHCL) para prestar esclarecimentos. Os documentos da OS já teriam sido enviados e estão com o Jurídico da Prefeitura para análise das providências a serem tomadas.
“Agora a comprovação (de que houve falha no atendimento) tem que ser feita por inquérito e por órgãos como o Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) e MP (Ministério Público). Enquanto gestora, eu não posso julgar a negligência ou não médica, porque esse não é meu papel. E eticamente temos que passar por todos esses trâmites”, explicou, ressaltando que a parte que é responsabilidade do município (atendimento, insumos, transporte...) não faltou.
