O brasileiro já começa a sentir que os dias estão ficando mais quentes, mas o cenário previsto para os próximos meses merece atenção.
O calor deve ganhar ainda mais intensidade em boa parte do território nacional, e a combinação entre temperaturas elevadas, mudanças no regime de chuvas e a influência do fenômeno El Niño coloca o clima no centro das preocupações para o fim de 2026 e o início de 2027.
De acordo com o prognóstico climático divulgado em 27 de outubro pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), pelo Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC/Inpe) e pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), as temperaturas médias podem ficar entre 1°C e 2°C acima da média histórica em praticamente todo o Brasil no trimestre de novembro, dezembro e janeiro.
Em algumas áreas, a situação pode ser ainda mais expressiva. A previsão aponta anomalias de temperatura de até 3°C acima da média em parte do Pará.
O alerta não significa que todos os municípios terão temperaturas iguais ou que haverá calor extremo todos os dias. Trata-se de uma tendência climática para os próximos meses, que indica um período mais quente do que o padrão esperado para essa época do ano.
MS TAMBÉM ESTÁ NO RADAR
No Centro-Oeste, o cenário merece atenção especial. A previsão para novembro indica temperaturas que podem chegar a 2°C acima da média histórica em grande parte de Mato Grosso do Sul e no noroeste de Mato Grosso.
Além do calor, a distribuição das chuvas deve apresentar diferenças importantes entre as regiões. Enquanto algumas áreas podem registrar precipitações acima do normal, outras devem enfrentar volumes inferiores à média.
Para quem vive em Mato Grosso do Sul, isso significa acompanhar não apenas os termômetros, mas também as atualizações meteorológicas sobre chuvas, tempestades e possíveis períodos de estiagem.
Em cidades como Três Lagoas, onde a população convive com dias de forte insolação e atividades cotidianas ao ar livre, a atenção à hidratação, aos horários de exposição solar e aos cuidados com crianças e idosos torna-se ainda mais importante.
EL NIÑO: O FENÔMENO QUE AJUDA A EXPLICAR O CENÁRIO
Um dos fatores que influenciam as condições climáticas previstas é o El Niño, fenômeno caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial.
Esse aquecimento interfere na circulação atmosférica e pode modificar os padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do planeta.
O boletim do Painel El Niño, elaborado por órgãos de monitoramento climático, aponta uma probabilidade superior a 95% de ocorrência de um evento muito forte no trimestre outubro-novembro-dezembro de 2026.
No Brasil, os efeitos costumam variar conforme a região. Em linhas gerais, o fenômeno favorece períodos mais chuvosos no Sul, enquanto pode contribuir para a redução das precipitações em áreas do Norte e do Nordeste.
É importante destacar que o El Niño não determina sozinho o comportamento do clima. Outros sistemas atmosféricos também interferem nas condições meteorológicas.
O QUE É UMA ONDA DE CALOR E POR QUE ELA PREOCUPA?
Nem todo dia quente representa uma onda de calor.
Esse fenômeno ocorre quando uma determinada região registra temperaturas excepcionalmente elevadas em relação ao seu padrão climático durante vários dias consecutivos.
O problema é que a exposição prolongada ao calor pode sobrecarregar o organismo, dificultando a regulação da temperatura corporal.
Entre as consequências estão desidratação, exaustão térmica, queda de pressão e agravamento de problemas cardiovasculares e respiratórios.
As áreas urbanas também podem sofrer com o chamado efeito de ilha de calor. O asfalto, o concreto, a concentração de construções e a menor presença de vegetação contribuem para reter o calor, tornando alguns ambientes ainda mais desconfortáveis.
CALOR TAMBÉM AFETA O SONO, O HUMOR E A DISPOSIÇÃO
Os efeitos das altas temperaturas vão muito além do desconforto físico.
Noites quentes podem prejudicar a qualidade do sono, dificultar o descanso e provocar cansaço durante o dia. A exposição prolongada ao calor também pode interferir na concentração, na produtividade e no bem-estar emocional.
Quem trabalha em ambientes externos, enfrenta longos deslocamentos ou depende de atividades físicas durante o expediente pode sentir ainda mais os efeitos das temperaturas elevadas.
É uma questão que envolve saúde pública, qualidade de vida e até organização das cidades.
QUEM PRECISA DE ATENÇÃO REDOBRADA?
Embora o calor possa afetar qualquer pessoa, alguns grupos apresentam maior vulnerabilidade:
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Crianças e bebês;
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Pessoas idosas;
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Gestantes;
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Pessoas com doenças cardiovasculares e respiratórias;
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Pessoas com problemas renais;
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Trabalhadores expostos ao sol;
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Pessoas em situação de rua.
A recomendação é observar mudanças no comportamento, sinais de fraqueza e sintomas de desidratação, especialmente entre aqueles que dependem de cuidados de terceiros.
COMO SE PROTEGER NOS DIAS MAIS QUENTES?
Pequenas mudanças na rotina podem fazer diferença.
Hidratação: beba água regularmente, mesmo sem sentir sede.
Horários: evite atividades físicas intensas e exposição prolongada ao sol nos períodos mais quentes do dia.
Roupas: prefira peças leves, confortáveis e de cores claras.
Alimentação: dê preferência a refeições leves, frutas e alimentos com maior quantidade de água.
Ambientes: procure locais ventilados, sombreados ou climatizados.
Trabalho ao ar livre: faça pausas frequentes na sombra e mantenha a hidratação.
Atenção aos veículos: nunca deixe crianças, idosos ou animais dentro de carros estacionados.
QUANDO O CALOR DEIXA DE SER APENAS UM DESCONFORTO?
O Ministério da Saúde alerta para sintomas que podem indicar problemas relacionados à exposição excessiva ao calor.
Transpiração intensa, fraqueza, tontura, náuseas, dor de cabeça e cãibras merecem atenção.
Em situações de confusão mental, desmaio, convulsões ou alteração importante do estado de consciência, é necessário buscar atendimento de emergência imediatamente. O golpe de calor é uma condição grave e pode colocar a vida em risco.
Não espere os sintomas se agravarem para procurar ajuda.
UM VERÃO QUE PEDE MAIS CONSCIÊNCIA
Novembro abre a contagem regressiva para o período mais movimentado do ano. Festas, viagens, férias escolares, encontros familiares e atividades ao ar livre passam a fazer parte da rotina de milhões de brasileiros.
Mas, diante das projeções climáticas, a preparação para os próximos meses também precisa incluir cuidados com a saúde e atenção às condições do tempo.
O calor não é novidade para o brasileiro. A questão é compreender que temperaturas acima da média, quando persistentes e acompanhadas de outros fatores climáticos, podem representar riscos importantes para a população.
Acompanhar os boletins meteorológicos, respeitar os limites do próprio corpo e cuidar de quem está mais vulnerável são atitudes fundamentais.
Afinal, aproveitar o verão é muito melhor quando a saúde vem em primeiro lugar.
FONTES E APURAÇÃO: Instituto Nacional de Meteorologia (INMET); Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE/CPTEC); Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme); Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden); Ministério da Saúde.
