A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil lançou, no dia 18 de fevereiro, em Brasília, a Campanha da Fraternidade 2026, com o tema “Fraternidade e Moradia” e o lema bíblico “Ele veio morar entre nós” (João 1:14).
A Campanha da Fraternidade 2026 propõe uma reflexão nacional sobre o direito à moradia digna, apontando a habitação como porta de entrada para outros direitos fundamentais, como saúde, educação, segurança e dignidade humana.
Inspirada em sugestão da Pastoral da Moradia e Favelas, a Campanha da Fraternidade 2026 chama atenção para a realidade de milhões de brasileiros que vivem sem acesso a uma casa adequada. Em Três Lagoas, o bispo diocesano dom Luiz Knupp, destacou que a reflexão proposta pela campanha vai além da estrutura física da casa e envolve dignidade e direitos básicos.
Números do déficit habitacional no Brasil
A Campanha da Fraternidade 2026 destaca que cerca de 328 mil pessoas viviam em situação de rua em 2022. Segundo a Agência Brasil, dados do Ministério das Cidades indicam que o déficit habitacional caiu de 6,21 milhões para 5,97 milhões de domicílios entre 2022 e 2023, recuo de 3,8%.
O governo federal informa que o programa Minha Casa, Minha Vida contratou mais de 1,9 milhão de unidades desde 2023, com investimento superior a R$ 300 bilhões. A meta é alcançar 3 milhões de moradias contratadas até o fim de 2026.
Bispo de Três Lagoas reforça apelo à solidariedade
Em mensagem direcionada aos fiéis durante o início da Quaresma, o bispo de Três Lagoas, dom Luiz Knupp, destacou que a Campanha da Fraternidade 2026 vai além da estrutura física da casa.
“Pensar na moradia é mais do que o espaço físico onde alguém se abriga, é pensar também em toda a realidade que o envolve" - Segundo ele, moradia digna envolve acesso à saúde, educação, água potável, energia elétrica e transporte.
Dom Knupp também reforçou que a Constituição garante o direito à moradia, mas que a efetivação ainda depende de políticas públicas e mobilização social. “Que possamos ter gestos de solidariedade para que ele tenha, sim, um teto, uma parede, um chão de forma digna para morar, mas que também tenha acesso à saúde, educação, água potável e energia", destacou.
O bispo lembrou que o Brasil ainda registra milhões de pessoas sem moradia adequada e defendeu o compromisso coletivo, da sociedade e do poder público, para enfrentar o problema.
Campanha da Fraternidade 2026 e o compromisso social
A Igreja Católica defende que a moradia digna seja prioridade nas agendas municipais, estaduais e federais. Para a CNBB, a crise habitacional exige mobilização permanente da sociedade e das autoridades públicas.
A Campanha da Fraternidade 2026 convida não apenas à reflexão, mas a gestos concretos de solidariedade e à cobrança de políticas públicas estruturantes.
