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Teledermatologia fortalece o SUS em MS e agiliza diagnóstico de câncer de pele

O objetivo é melhorar o acesso aos serviços de média e alta complexidade, classificar o risco das lesões e organizar a fila de encaminhamentos conforme a gravidade.

Da Redação
01/03/26 às 09h35
Foto: Arquivo/SES

O telediagnóstico em dermatologia tem ampliado o acesso da população de Mato Grosso do Sul a especialistas, sem que o paciente precise sair, inicialmente, do município onde mora. A estratégia integra o STT (Sistema de Telemedicina e Telessaúde) e é ofertada nacionalmente pelo Telessaúde da UFSC, vinculado à Universidade Federal de Santa Catarina, em parceria com a Central Estadual de Telemedicina de Santa Catarina, referência no país.

Reconhecida pelo Ministério da Saúde, a ferramenta é apontada como capaz de aumentar a resolutividade da APS (Atenção Primária à Saúde), com potencial para solucionar cerca de 70% dos casos sem necessidade de consulta presencial com dermatologista.

O objetivo é melhorar o acesso aos serviços de média e alta complexidade, classificar o risco das lesões e organizar a fila de encaminhamentos conforme a gravidade.

Como funciona o atendimento

O fluxo começa na UBS (Unidade Básica de Saúde). Ao identificar uma lesão suspeita, o médico solicita o exame pelo STT e realiza a triagem clínica.

Em seguida, é feito o registro fotográfico da lesão, etapa decisiva para a qualidade do diagnóstico. As imagens e informações clínicas são enviadas pela plataforma e avaliadas por dermatologistas especializados. O laudo, com classificação de risco e conduta indicada, retorna à unidade solicitante em até 72 horas.

O serviço atende casos suspeitos de melanoma e câncer de pele não melanoma, além de outras dermatoses. Grande parte das situações pode ser resolvida na própria Atenção Primária, evitando encaminhamentos desnecessários.

Impacto no diagnóstico de câncer de pele

Desde a implantação, em 2019, 28 municípios sul-mato-grossenses aderiram ao serviço, somando 43 pontos de atendimento.

Casos identificados

Melanoma

  • Centro: 5 casos (3 municípios)
  • Pantanal: 33 casos (2 municípios)
  • Cone Sul: 4 casos (2 municípios)
  • Costa Leste: 13 casos (7 municípios)
  • Câncer de pele não melanoma
  • Centro: 32 casos (4 municípios)
  • Pantanal: 125 casos (2 municípios)
  • Cone Sul: 42 casos (7 municípios)
  • Costa Leste: 103 casos (7 municípios)

Os dados reforçam a importância do diagnóstico precoce, especialmente no caso do melanoma, considerado mais agressivo. Quanto mais cedo a lesão é identificada e encaminhada para confirmação e tratamento, maiores são as chances de cura.

Estrutura e segurança

Para aderir ao serviço, o município precisa formalizar participação no Telessaúde e adquirir um Kit de Dermatologia, composto por dermatoscópio, adaptador e equipamento de captura de imagem (smartphone ou câmera digital), conforme especificações técnicas mínimas.

Também é necessário:

  • Cadastro no sistema;
  • Capacitação das equipes;
  • Cumprimento dos protocolos de segurança;
  • Termo de consentimento assinado pelo paciente.

Casos graves ou pacientes sintomáticos não devem aguardar o laudo do sistema e precisam ser encaminhados imediatamente para a rede de urgência e emergência.

Tecnologia a serviço da Atenção Primária

De natureza ambulatorial, a teledermatologia amplia a capacidade diagnóstica dos municípios e fortalece a resolutividade da Atenção Primária. Ao evitar deslocamentos desnecessários e qualificar a fila de encaminhamentos, a estratégia contribui diretamente para o enfrentamento do câncer de pele em Mato Grosso do Sul.

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