O governo de Cuba anunciou uma mudança histórica em sua política econômica ao permitir que cidadãos que vivem no exterior invistam no país e sejam proprietários de empresas. A medida foi confirmada pelo vice-primeiro-ministro Oscar Pérez-Oliva Fraga em entrevista à NBC News, repercutida por O Globo, e faz parte de uma estratégia para reativar a economia da ilha.
Segundo a reportagem, o governo pretende criar um ambiente mais dinâmico para negócios, abrindo espaço para investimentos em setores como turismo, infraestrutura e energia. Fraga afirmou que Cuba está “aberta a uma relação comercial fluida” com empresas estrangeiras e também com cubanos que vivem fora do país.
Abertura inédita desde a revolução
De acordo com o Brazil Journal e o portal The News a medida representa uma ruptura com décadas de restrições iniciadas após a Revolução Cubana de 1959, quando o país passou a limitar fortemente a participação privada e estrangeira na economia.
Agora, além de investir, cubanos no exterior poderão ter participação em empresas privadas e até abrir instituições financeiras no país, algo inédito nas últimas décadas. A iniciativa amplia um processo gradual de abertura iniciado em 2021, quando o governo passou a permitir pequenos negócios dentro da ilha.
Crise econômica e energética acelera mudanças
A decisão ocorre em meio a uma das piores crises econômicas da história recente do país. Cuba enfrenta escassez de combustível, apagões frequentes e queda na atividade econômica. Segundo autoridades, os fluxos de petróleo foram drasticamente reduzidos, agravando o cenário.
Além disso, o país já acumula retração econômica significativa nos últimos anos e dificuldades estruturais que impactam o cotidiano da população, com falta de alimentos, energia e queda no turismo. Cerca de 89% da população vive em situação de extrema pobreza, enquanto mais de 1 milhão de pessoas deixaram o país desde 2021, evidenciando a dimensão da crise.
Pressão dos EUA e cenário internacional
A abertura econômica também acontece em um contexto de tensão com os Estados Unidos . O governo cubano atribui parte das dificuldades às sanções econômicas impostas por Washington, que limitam o acesso a financiamento, tecnologia e mercados.
Além disso, Cuba confirmou recentemente que mantém conversas com o governo do presidente Donald Trump , enquanto autoridades americanas seguem pressionando por mudanças mais profundas no regime.
De acordo com a Reuters, a decisão de permitir investimentos da diáspora cubana marca uma mudança significativa na postura do governo, que historicamente via os exilados com desconfiança.
Tentativa de recuperação
Diante do cenário de crise, a abertura para investimentos externos é vista como uma tentativa de atrair capital, estimular a economia e reduzir os impactos sociais e energéticos enfrentados pela população.
Apesar disso, especialistas apontam que os efeitos da medida ainda dependem de fatores como flexibilização de sanções internacionais e confiança de investidores, o que mantém incertezas sobre o futuro econômico da ilha.
