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Cuba abre economia e autoriza investimentos de cidadãos no exterior

Medida histórica permite que exilados tenham empresas na ilha em meio à crise energética e pressão internacional.

Da Redação - Hojemais Três Lagoas
19/03/26 às 07h45
Foto: Reprodução/EFE/Ernesto Mastrascusa

O governo de Cuba anunciou uma mudança histórica em sua política econômica ao permitir que cidadãos que vivem no exterior invistam no país e sejam proprietários de empresas. A medida foi confirmada pelo vice-primeiro-ministro Oscar Pérez-Oliva Fraga em entrevista à NBC News, repercutida por O Globo, e faz parte de uma estratégia para reativar a economia da ilha.

Segundo a reportagem, o governo pretende criar um ambiente mais dinâmico para negócios, abrindo espaço para investimentos em setores como turismo, infraestrutura e energia. Fraga afirmou que Cuba está “aberta a uma relação comercial fluida” com empresas estrangeiras e também com cubanos que vivem fora do país.

Abertura inédita desde a revolução

De acordo com o Brazil Journal e o portal The News a medida representa uma ruptura com décadas de restrições iniciadas após a Revolução Cubana de 1959, quando o país passou a limitar fortemente a participação privada e estrangeira na economia.

Agora, além de investir, cubanos no exterior poderão ter participação em empresas privadas e até abrir instituições financeiras no país, algo inédito nas últimas décadas. A iniciativa amplia um processo gradual de abertura iniciado em 2021, quando o governo passou a permitir pequenos negócios dentro da ilha.

Crise econômica e energética acelera mudanças

A decisão ocorre em meio a uma das piores crises econômicas da história recente do país. Cuba enfrenta escassez de combustível, apagões frequentes e queda na atividade econômica. Segundo autoridades, os fluxos de petróleo foram drasticamente reduzidos, agravando o cenário.

Além disso, o país já acumula retração econômica significativa nos últimos anos e dificuldades estruturais que impactam o cotidiano da população, com falta de alimentos, energia e queda no turismo. Cerca de 89% da população vive em situação de extrema pobreza, enquanto mais de 1 milhão de pessoas deixaram o país desde 2021, evidenciando a dimensão da crise.

Pressão dos EUA e cenário internacional

A abertura econômica também acontece em um contexto de tensão com os Estados Unidos . O governo cubano atribui parte das dificuldades às sanções econômicas impostas por Washington, que limitam o acesso a financiamento, tecnologia e mercados.

Além disso, Cuba confirmou recentemente que mantém conversas com o governo do presidente Donald Trump , enquanto autoridades americanas seguem pressionando por mudanças mais profundas no regime.

De acordo com a Reuters, a decisão de permitir investimentos da diáspora cubana marca uma mudança significativa na postura do governo, que historicamente via os exilados com desconfiança.

Tentativa de recuperação

Diante do cenário de crise, a abertura para investimentos externos é vista como uma tentativa de atrair capital, estimular a economia e reduzir os impactos sociais e energéticos enfrentados pela população.

Apesar disso, especialistas apontam que os efeitos da medida ainda dependem de fatores como flexibilização de sanções internacionais e confiança de investidores, o que mantém incertezas sobre o futuro econômico da ilha.

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