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Desemprego cai para 5,2% no Brasil e atinge menor nível para o terceiro trimestre desde 2012

País registra 5,6 milhões de pessoas desocupadas e recorde de 103,6 milhões de trabalhadores ocupados, segundo pesquisa divulgada pelo IBGE nesta sexta-feira (30).

Da Redação
30/10/26 às 09h23
(Foto: Marcos Santos/Agência USP)

A taxa de desemprego no Brasil caiu para 5,2% no terceiro trimestre de 2026, o menor índice já registrado para esse período desde o início da série histórica, em 2012. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua.

No segundo trimestre deste ano, a taxa de desocupação estava em 5,4%. Já no mesmo período de 2025, o índice era de 5,6%.

Com o resultado, o país contabilizou 5,6 milhões de pessoas desocupadas entre julho e setembro. O número representa uma redução de 4% em relação ao trimestre anterior, equivalente a 234 mil pessoas a menos à procura de trabalho. Na comparação anual, a queda foi de 6,9%, com redução de 417 mil desocupados.

Brasil registra recorde de pessoas ocupadas

A população ocupada chegou a 103,6 milhões de pessoas, o maior contingente da série histórica iniciada em 2012.

Na comparação com o segundo trimestre de 2026, houve crescimento de 0,6%, com a entrada de 581 mil pessoas no mercado de trabalho. Em relação ao terceiro trimestre do ano passado, o aumento foi de 1,2 milhão de trabalhadores, alta de 1,2%.

Entre os setores que apresentaram crescimento na ocupação, a construção civil se destacou, com alta de 2,8% no trimestre e acréscimo de 210 mil trabalhadores.

Segundo o analista da pesquisa, William Kratochwill, o setor contribuiu para o avanço do número de pessoas ocupadas no país.

Número de empregadores também bate recorde

O contingente de empregadores alcançou 4,5 milhões de pessoas, o maior já registrado pela pesquisa.

O resultado representa crescimento de 4,3% em relação ao trimestre anterior, com mais 184 mil pessoas, e avanço de 6,4% na comparação anual, equivalente a 272 mil empregadores adicionais.

De acordo com Kratochwill, o crescimento desse grupo também contribui para a geração de oportunidades de trabalho, já que a expansão dos empreendimentos pode resultar em novas contratações.

O número de trabalhadores empregados no setor público também atingiu recorde, chegando a 13,2 milhões de pessoas. O contingente ficou estável no trimestre, mas cresceu 2,5% em relação ao mesmo período de 2025, com acréscimo de 317 mil trabalhadores.

Emprego com carteira assinada permanece estável

Apesar da redução do desemprego, alguns indicadores de ocupação permaneceram estáveis no terceiro trimestre.

O número de empregados no setor privado com carteira assinada, sem considerar trabalhadores domésticos, ficou em 39,4 milhões. Já os trabalhadores sem carteira assinada somaram 13,7 milhões.

A pesquisa também registrou 26,1 milhões de trabalhadores por conta própria e 5,4 milhões de empregados domésticos. Todos esses grupos apresentaram estabilidade tanto na comparação trimestral quanto na anual.

Para o analista do IBGE, a estabilidade pode indicar um período de espera do mercado de trabalho diante das possíveis mudanças relacionadas ao cenário eleitoral. Os próximos levantamentos devem ajudar a identificar os rumos da ocupação.

População subutilizada soma 14,8 milhões de pessoas

A taxa composta de subutilização da força de trabalho ficou em 13% no terceiro trimestre, praticamente estável em relação ao trimestre anterior, quando registrou 12,9%.

Na comparação com o mesmo período de 2025, houve redução de 0,9 ponto percentual, quando o indicador estava em 13,9%.

A população subutilizada chegou a 14,8 milhões de pessoas, sem variação significativa no trimestre. No acumulado de um ano, houve queda de 6,1%, equivalente a 957 mil pessoas.

Esse grupo reúne pessoas desocupadas, trabalhadores que gostariam de trabalhar mais horas e aqueles que fazem parte da força de trabalho potencial, incluindo pessoas que desistiram de procurar emprego ou não estavam disponíveis para assumir uma vaga.

Número de desalentados cresce no trimestre

O levantamento também apontou aumento no número de pessoas desalentadas, aquelas que desistiram de procurar emprego por acreditarem que não encontrariam uma oportunidade adequada.

No terceiro trimestre, esse contingente chegou a 2,5 milhões de pessoas, alta de 7,5% em relação ao trimestre anterior, com acréscimo de 171 mil pessoas.

Apesar do crescimento trimestral, na comparação com o mesmo período de 2025 houve redução de 6,8%, o equivalente a 178 mil pessoas a menos.

Segundo William Kratochwill, a queda anual está relacionada à melhora nas contratações observada nos últimos trimestres. Entretanto, o aumento recente indica que parte da população ainda enfrenta dificuldades para encontrar oportunidades compatíveis com suas expectativas, especialmente pessoas com 40 anos ou mais.

Rendimento médio chega a R$ 3.790

O rendimento real habitual de todos os trabalhos foi estimado em R$ 3.790 no terceiro trimestre de 2026. O valor permaneceu estável em relação ao trimestre anterior, mas apresentou crescimento de 3,6% na comparação anual, com aumento de R$ 131.

Já a massa de rendimento real habitual, que representa a soma dos rendimentos recebidos pelos trabalhadores, atingiu R$ 387,5 bilhões, o maior valor da série histórica.

O resultado representa crescimento de 1,5% no trimestre, equivalente a R$ 5,6 bilhões, e avanço de 4,7% em relação ao mesmo período do ano passado, com acréscimo de R$ 17,5 bilhões.

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