O Brasil vive uma onda crescente de êxodo de milionários. Estimativas da Henley & Partners , consultoria especializada em mobilidade de grandes fortunas, apontam que cerca de 1.200 pessoas com patrimônio superior a US$ 1 milhão devem deixar o país em 2025. O número representa um aumento de 50% em relação ao registrado no ano anterior e coloca o Brasil entre os seis países que mais perdem indivíduos de alta renda no mundo.
Segundo o levantamento, os milionários brasileiros que se mudam levam consigo aproximadamente US$ 8,4 bilhões (R$ 46 bilhões na cotação atual). Esse movimento não afeta apenas a economia imediata, mas também a capacidade de inovação, a competitividade e a atração de investimentos estrangeiros.
Fuga de capitais e perda de talentos
De acordo com o Instituto Millenium, quase um quinto dos milionários brasileiros deixou o país nos últimos dez anos. A saída desse grupo provoca perda de arrecadação tributária, enfraquecimento do mercado de consumo de luxo e redução no financiamento de novos negócios e empregos. Além do capital, o país também perde profissionais altamente qualificados, empreendedores e investidores que poderiam impulsionar setores estratégicos da economia.
Principais motivos para a saída
A violência aparece como uma das razões centrais para a decisão de mudança. Famílias de alta renda, mesmo investindo em segurança privada, apontam a criminalidade como fator decisivo. Outros aspectos incluem instabilidade política e econômica, carga tributária elevada, falta de previsibilidade regulatória, dificuldade de planejamento para aposentadoria e busca por melhor qualidade de vida.
A percepção de um “contrato social rompido” também é apontada por especialistas: milionários pagam impostos elevados, mas continuam arcando com custos privados de saúde, educação e segurança. Esse cenário gera cansaço e incentiva a busca por alternativas em países considerados mais estáveis e seguros.
Destinos mais procurados
Entre os destinos preferidos pelos brasileiros estão Estados Unidos, Portugal, Itália e Suíça. No entanto, alguns países têm criado barreiras para entrada de estrangeiros de alta renda. Por isso, cresce o interesse por alternativas como os Emirados Árabes Unidos, que lideram o ranking global de atração de milionários em 2025, graças à isenção de imposto de renda, infraestrutura de ponta e estabilidade política.
Impactos de longo prazo
A saída de famílias milionárias não representa apenas perda de consumo de luxo. O movimento reduz a base de arrecadação tributária, drena investimentos e limita o crescimento de setores que dependem de capital privado. Além disso, enfraquece a imagem do Brasil no cenário internacional, uma vez que a fuga de seus próprios cidadãos mais ricos transmite insegurança a investidores estrangeiros.
A tendência sinaliza que, sem reformas estruturais que melhorem segurança, estabilidade econômica e qualidade dos serviços públicos, o Brasil continuará registrando um fluxo crescente de milionários em busca de novos destinos para viver e investir.
Com informações de Gazeta do Povo.
