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IA pode reduzir receitas da indústria musical em 24%

Relatório da Unesco aponta que avanço da IA pode causar perdas de até 24% na música e 21% no audiovisual até 2028.

Da Redação - Hojemais Três Lagoas
24/02/26 às 07h50
Foto: Reprodução

O avanço da IA na indústria musical pode provocar perdas globais de até 24% nas receitas do setor até 2028. O dado consta no relatório Re|thinking Policies for Creativity (Repensando as Políticas para a Criatividade), divulgado pela Unesco .

O estudo, baseado em dados de mais de 120 países, também estima redução de até 21% nas receitas do setor audiovisual em decorrência da expansão de conteúdos produzidos por inteligência artificial generativa. As informações foram divulgadas pela Agência Brasil .

Transformação digital e impacto econômico

Segundo o relatório, as receitas digitais já representam 35% dos rendimentos dos criadores, contra 17% em 2018, sinalizando uma mudança estrutural no modelo econômico das indústrias criativas.

Apesar do crescimento, a Unesco alerta para:

  • Maior precarização do trabalho criativo
  • Exposição a violações de propriedade intelectual
  • Concentração de mercado em poucas plataformas de streaming

O diretor-geral da Unesco, Khaled El-Enany , destacou a necessidade de fortalecer o apoio a artistas diante das transformações digitais impulsionadas pela IA.

Comércio cultural e desigualdade global

O comércio global de bens culturais atingiu US$ 254 bilhões em 2023. Desse total, 46% das exportações vêm de países em desenvolvimento. Esses mesmos países representam pouco mais de 20% do comércio global de serviços culturais

O relatório aponta que essa diferença tende a se ampliar com a digitalização do mercado. Além disso, o financiamento público direto à cultura está abaixo de 0,6% do PIB global, sendo que apenas  48% dos países produzem estatísticas sobre consumo cultural digital

Competências digitais e divisão Norte–Sul

A Unesco também identificou disparidades nas competências digitais:

  • 67% da população de países desenvolvidos possui habilidades digitais essenciais.
  • Apenas 28% nos países em desenvolvimento apresentam o mesmo nível.

Para a organização, essa assimetria reforça desigualdades estruturais no acesso às oportunidades da economia criativa digital.

Mobilidade artística e gênero

O estudo mostra que 96% dos países desenvolvidos apoiam a mobilidade artística para o exterior e a penas 38% facilitam a entrada de artistas de países em desenvolvimento.

Em relação à igualdade de gênero, a liderança feminina em instituições culturais subiu de 31% (2017) para 46% (2024). Já n os países desenvolvidos, mulheres ocupam 64% dos cargos de liderança. Em países em desenvolvimento, esse número é de 30%.

Convenção de 2005 e políticas culturais

O relatório integra a série que monitora a implementação da Convenção da Unesco de 2005 sobre a proteção e promoção da diversidade das expressões culturais.

Desde então, mais de 8.100 políticas e medidas culturais foram adotadas pelos países signatários. Por meio do Fundo Internacional para a Diversidade Cultural, a Unesco já apoiou 164 projetos em 76 países do sul global.

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