A percepção de que o trabalho autônomo garante mais liberdade e estabilidade financeira vem perdendo força no país.
Uma pesquisa encomendada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) e realizada pelo Vox Populi em parceria com o Dieese, divulgada em 10 de novembro de 2025, aponta que 56% dos brasileiros que deixaram o regime CLT para empreender desejam retornar ao emprego formal .
O estudo, intitulado “O Trabalho no Brasil” , entrevistou 3.850 pessoas em todas as regiões do país e revelou que a instabilidade financeira e a ausência de direitos trabalhistas estão entre os principais motivos do desejo de retorno à carteira assinada.
Segundo dados complementares do IBGE, 37,8% dos trabalhadores brasileiros atuam na informalidade , percentual que se mantém estável nos últimos levantamentos da Pnad Contínua. Em Mato Grosso do Sul, a taxa de informalidade chega a 32% da população ocupada , enquanto entre os trabalhadores por conta própria, 71% atuam sem CNPJ , conforme a pesquisa de 2023.
A dificuldade de manter negócios em funcionamento também aparece nos dados oficiais. O Mapa de Empresas do Governo Federal registrou o encerramento de 10.842 empresas em Mato Grosso do Sul apenas no primeiro quadrimestre de 2024. No cenário nacional, o Sebrae aponta que 30,2% das empresas do setor de comércio encerram suas atividades em até cinco anos , índice que reforça a vulnerabilidade dos pequenos negócios.
Os resultados indicam uma tendência de revalorização da estabilidade e da segurança trabalhista, em um contexto em que o chamado “ empreendedorismo de necessidade”, aquele motivado pela falta de oportunidades formais, ainda predomina no país.
Com informações de The News.
