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Suprema Corte dos EUA derruba tarifas de Trump e impacto pode chegar a MS

As tarifas impostas pela administração Trump desde abril de 2025 alteraram significativamente o fluxo comercial entre Brasil e Estados Unidos.

Da Redação - Hojemais Três Lagoas
20/02/26 às 13h18
Presidente Donald Trump definiu a imposição global de tarifas comerciais. (Foto: Reprodução/Flickr/White House)

Nesta sexta-feira, dia 20 de fevereiro de 2026, a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu, por 6 votos a 3, que a imposição global de tarifas comerciais promovida pelo presidente Donald Trump foi ilegal.

A Corte entendeu que o então chefe do Executivo excedeu sua autoridade ao utilizar a International Emergency Economic Powers Act (IEEPA) para taxar produtos importados de diversos países.

A decisão representa um revés à estratégia unilateral de comércio adotada pelos Estados Unidos e tem ampla repercussão nos mercados globais, inclusive nas relações comerciais com o Brasil.

O que a Suprema Corte decidiu

No julgamento, os ministros concluíram que a Constituição norte-americana atribui ao Congresso, e não ao presidente, a competência para instituir tarifas de importação, por se tratarem de tributos. Para a maioria da Corte, a interpretação de que a IEEPA autorizaria o Executivo a impor tarifas amplas e globais não se sustenta juridicamente.

A decisão atinge especificamente as tarifas de caráter abrangente impostas a partir de 2025. As medidas poderão ser revistas, inclusive com possibilidade de reembolso de valores pagos por empresas importadoras nos Estados Unidos, caso haja regulamentação posterior.

Reação dos mercados

A resposta foi imediata. Após o anúncio da decisão, os principais índices acionários dos EUA operaram em alta, refletindo alívio com a redução da incerteza comercial.

No Brasil, o dólar ampliou perdas frente ao real, sendo negociado abaixo de R$ 5,20 em determinados momentos do pregão, acompanhando o enfraquecimento global da moeda norte-americana.

Analistas apontam que o julgamento reduz tensões comerciais e melhora as perspectivas para cadeias globais de produção.

Impactos no Brasil

Comércio exterior

As tarifas impostas pela administração Trump desde abril de 2025 alteraram significativamente o fluxo comercial entre Brasil e Estados Unidos.

Em 2025, as exportações brasileiras para os EUA caíram 6,6%, somando cerca de US$ 37,7 bilhões, as importações de produtos norte-americanos cresceram, e o Brasil registrou déficit comercial na relação bilateral.

Antes da decisão judicial, o governo norte-americano havia aplicado tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros, incluindo carnes, café e frutas. Parte dessas tarifas foi posteriormente reduzida, mas o impacto inicial gerou forte preocupação entre exportadores e discussões sobre possíveis medidas de retaliação.

Repercussões econômicas

Especialistas destacaram que o tarifaço poderia:

  • Reduzir a competitividade das exportações brasileiras;
  • Pressionar cadeias produtivas dependentes do mercado norte-americano;
  • Gerar volatilidade no câmbio e na bolsa;
  • Forçar empresas a acelerar estratégias de diversificação comercial.

Mesmo antes da decisão da Suprema Corte, setores produtivos já buscavam ampliar mercados na Europa, Ásia e América Latina para reduzir a dependência dos Estados Unidos.

(Foto: Reprodução/Freepik)

Como isso afeta o Mato Grosso do Sul?

O estado de Mato Grosso do Sul demonstrou capacidade de adaptação durante o período de instabilidade comercial.

Entre os principais pontos:

  • Apesar da queda de 9,06% nas exportações para os Estados Unidos nos primeiros nove meses de 2025, o estado manteve superávit comercial no acumulado do ano.
  • Houve forte diversificação de mercados, com ampliação de embarques para países como Itália, Argentina, Chile e Turquia.
  • A China permaneceu como principal destino das exportações sul-mato-grossenses.
  • O setor de carne bovina teve papel relevante na sustentação do desempenho exportador estadual.

Autoridades e lideranças econômicas locais avaliam que a decisão da Suprema Corte pode facilitar a normalização das relações comerciais e reduzir impactos negativos provocados pela guerra tarifária.

Um marco jurídico e comercial

A decisão da Suprema Corte dos EUA marca um ponto de inflexão na política comercial norte-americana. Ao reafirmar que o poder de instituir tarifas cabe ao Congresso, o tribunal redefine os limites da atuação presidencial em matéria econômica.

Para o Brasil, e especialmente para estados exportadores como Mato Grosso do Sul, o cenário abre espaço para:

  • Redução de barreiras tarifárias;
  • Reavaliação de estratégias comerciais;
  • Fortalecimento da diversificação de mercados;
  • Reequilíbrio diplomático nas relações com os Estados Unidos.

O desdobramento prático da decisão ainda dependerá de medidas administrativas e legislativas, mas o julgamento já produz efeitos relevantes no ambiente econômico internacional.

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