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Ao encerrar seu mandato, Márcia Moura diz que é momento de abrir caminho para os jovens

Prefeita entrega prefeitura a Angelo Guerreiro à 00h30 deste domingo

Hojemais - João Maria Vicente
31/12/16 às 12h07
Prefeita Márcia Moura (Aurora Villalba)

Neste sábado (31), Márcia Moura encerra um ciclo de seis anos como prefeita de Três Lagoas.  Prestes a se aposentar, ela retorna para o cargo de professora-doutora da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), onde é concursada.  “Agora é momento de abrir caminho para os jovens, para as pessoas que querem se doar”, ponderou em entrevista ao Hojemais, ocasião em que aproveitou para afirmar que não é nada fácil administrar uma cidade. “é muito fácil ficar do outro lado só criticando, só levando os problemas nas redes sociais, mas não nos trazendo as soluções”, desabafou.  

Segundo ela, as pessoas têm uma ideia de Prefeitura muito diferente do que é na realidade, sem ter noção das dificuldades de se administrar por conta da questão burocrática, da questão legal e financeira.  E cita como exemplo as quedas nos repasses, bem como na arrecadação dos tributos municipais. “Tudo caiu substancialmente, e nós só conseguimos sobreviver tirando um pouquinho daqui, apertando dali e com os secretários sempre fazendo a tarefa de casa e a gente conseguindo passar à população os melhores serviços”, explica, e completa: “não fui capaz de fazer tudo que queria, mas tenho certeza que a missão cumprida é um sentimento que levarei comigo”.

PAGAMENTOS EM DIA

Márcia disse que fará questão de cumprimentar o seu sucessor Angelo Guerreiro e desejar que Deus o ilumine e o conduza. “Tenho certeza que a administração dele superará em muito a nossa; é assim a vida: o que vêm tem que superar o que foi”, ajuíza, observando que os últimos três anos foram os piores da vida política do Brasil, devido a problemas financeiros, falta de ética, falta de vergonha na cara, e que isso refletiu em sua administração. “Os recursos que eram para vir para as prefeituras foram embora; foram desviados, roubados; dilapidaram o patrimônio público e quem sofre com isso é a população diretamente, pois não tem uma saúda melhorada, uma drenagem e um projeto social melhor”, protestou.

Segundo Màrcia, todas estas ações refletiram nos prefeitos, que apanharam muito por estarem próximos à população. “Mas conseguimos superar muitas coisas, pois tenho um secretariado fantástico, a quem só temos de agradecer.

Nesse sentido, ela destaca o pagamento dos salários de dezembro, que poderia ser pago até o quinto dia útil e o 13ª salário.

Garante também que todos os fornecedores foram pagos. “Se não paguei alguém, é porque falta documento ou porque ainda não está no momento [de pagar]”, assegura, informando que vai deixar recursos da fonte zero – arrecadação própria - para o próximo prefeito, que terá autonomia para movimentar da forma que melhor entender. Assegurou também que está separado o dinheiro para as obras em andamento. No total, ela deixa mais de R$ 104 milhões.

Neste final de ano ela intensificou os trabalhos, viando entregar várias obras como todos os postos de saúde, Cras, creche, Centro Odontológico, asfalto, obras de hidráulica e elétrica em escolas e também que a reforma interna do ginásio de esportes praticamente pronta.

ALEGRIAS E FRUSTRAÇÃO

Finalmente Márcia diz que ser prefeita foi um período maravilho em minha vida. “Sofri muito, mas foi maravilhoso, gratificante”, externou, destacando como maior feito frente à prefeitura, a entrega das 2.642 unidades dos residenciais Novo Oeste e Orestinho. “Foi o que mais me agradou, pois foram entregues para famílias que precisavam e que hoje tem dignidade e respeito.

O grande legado que deixa para a cidade é o plano de ação que, segundo ela, permitirá enxergar a cidade a curto, médio e a um longo espaço de tempo, respeitando esse crescimento, fazendo mais com menos dinheiro público aplicado, buscando as parcerias e sabendo onde a cidade tem o seu potencial de crescimento.

Um grande lamento é o fato de não ter conseguido executar o plano de drenagem que elaborou. “É uma frustração que levo comigo”, lastima, afirmando que repassou o plano ao prefeito Guerreiro. Essa obra seria executada com os R$ 80 milhões que seriam financiados pelo Governo Federal, que depois seriam reduzidos para R$ 5milhões, para R$ 3 milhões e que acabou não sendo liberado nenhum centavo.

Reconhecendo que teve suas falhas, disse que deixa uma prefeitura muito respeitosa e de valorização da cidadania. “Deixo amor, gratidão e respeito e levo experiência e gratidão eterna pelo que pude vivenciar à frente do cargo”, finaliza. (Com informações de Aurora Villalba)

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