Mais de que uma velha estratégia conhecida de dirigentes, cujos partidos reconhecem a necessidade de mudança, a palavra reestruturação virou moda em dois gigantes da política de Mato Grosso do Sul depois de sucessivas derrotas em eleições estaduais e municipais.
Assim, o PMDB do ex-governador André Puccinelli e o PT do ex-senador Delcídio do Amaral, ambos mergulhados em escândalos recentes na polícia estadual e nacional, vão tentando sobreviver às vésperas da campanha eleitoral, prevista para começar oficialmente em agosto.
Presente a cerimônia de posse do deputado estadual Renato Câmara como presidente da executiva municipal do PMDB de Dourados, no último sábado (20), durante a qual o partido também lançou o projeto
"Participa Dourados", André Puccinelli deu o tom de como será o discurso do PMDB daqui para frente.
A ideia do projeto é colher sugestões do eleitor visando desenvolver um plano de ação para auxiliar na construção das diretrizes do PMDB para a cidade.
"Acredito na reestruturação do nosso PMDB com a reaproximação das antigas lideranças. Vejo no projeto "Participa Dourados", amor a essa cidade, respeito com a população e tenho certeza do trabalho consistente que Renato vai fazer por Dourados", comentou o ex-governador.
A cúpula regional diz que a mudança na executiva sinaliza um novo momento do PMDB na cidade, em que o partido se fortalece no cenário político municipal e inicia um trabalho de aproximação com a população para sua candidatura própria nas eleições municipais de 2016.
Além de Renato Câmara, que também é pré-candidato a prefeito pelo partido, a executiva é composta pelos membros Odilon Azambuja, Antônio Nogueira, Juarez Oliveira e Isso Iguma Filho.
O presidente regional do PMDB, deputado Júnior Mochi, comentou sobre a importância de o partido ter à frente um líder como o novo presidente.
“O deputado Renato Câmara representa muito bem o novo projeto político do PMDB Dourados. É um político arrojado, de iniciativas fortes e consistentes. Essa é a oportunidade de escrevermos uma nova página na história política de Dourados com uma política de construção coletiva".
LAVA JATO E LAMA ASFÁLTICA
Da mesma forma, as principais lideranças do PT também começam a reconhecer a necessidade de “refundação” do partido diante das graves denúncias de corrupção que culminaram com o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.
Por aqui, o estrago foi causado por Delcídio, preso pela Polícia Federal após ser flagrado em conversa telefônica tentando obstruir as investigações da Operação Lava Jato.
A prisão do ex-senador repercutiu negativamente no cenário político local, obrigando o deputado federal Zeca do PT a adiar seus planos de disputar, mais uma vez, a prefeitura de Campo Grande.
Até mesmo o deputado estadual Pedro Kemp, entusiasta da ideia, recolheu o flap. Sem opção, o vereador Alex do PT colocou seu nome à disposição.
Há dias, durante reunião do PT em Belo Horizonte para celebrar seus 35 anos de vida, Lula falou outra vez de refundação.
Mesmo falando em golpe contra o PT, o tema predileto dos seus companheiros foi à reestruturação dos quadros partidários.
O ex-presidente, no entanto, preferiu trocar as palavras, já que em vez de refundação, falou em um novo manifesto para atualizar o partido.
Enquanto Delcídio tenta entregar ex-companheiros na Operação Lava Jato, por meio de sua delação premiada, André Puccinelli se defende da Operação Lama Asfáltica, que já mandou para a cadeia o ex-deputado federal Edson Giroto (PR) e o empresário João Amorim, além de outras pessoas que estão sendo investigadas por suposto desvio de dinheiro público.