O Congresso Nacional aprovou na última semana a retirada de recursos das emendas de bancada estadual para reforçar o Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), também conhecido como Fundo Eleitoral, que foi estimado em mais de R$ 4,961 bilhões para as eleições municipais de 2024.
De acordo com a Comissão Mista de Orçamento (CMO), os partidos PL, PT e União Brasil devem concentrar quase 50% do total previsto, correspondendo a R$ 2.031.000.000, ou seja, 40,935% do valor calculado.
Este aporte foi aprovado para assegurar para o próximo ano o mesmo valor utilizado em 2022. Os recursos destinados às emendas de bancada estadual têm execução obrigatória, sendo que cada representação no Congresso pode sugerir despesas de até R$ 316,9 milhões no Orçamento de 2024.
Caso o dinheiro das emendas de bancada reservado para o Fundo Eleitoral não seja integralmente utilizado na campanha, a sobra é dividida pelo relator-geral do Orçamento, que deve respeitar a mesma proporção adotada nos pareceres de emendas de bancada aprovados pela CMO. Portanto, com a distribuição dos recursos bilionários, o PL poderá ficar com R$ 879 milhões, o PT com R$ 616 milhões e o União Brasil com R$ 536 milhões.
Na prática, em Mato Grosso do Sul, onde os três partidos estão projetando lançar candidatos a prefeito na maioria dos 79 municípios, incluindo Campo Grande, eles devem ser os fiéis da balança, principalmente na Capital, maior colégio eleitoral do Estado e cidade em que nenhuma das três siglas são apontadas como favoritas.
No caso do partido que receberá a maior cota do Fundão, o PL, a princípio o pré-candidato a prefeito em Campo Grande é o presidente estadual da legenda, deputado federal Marcos Pollon. Porém, nos últimos dias, o deputado estadual Coronel David, do mesmo partido, também se colocou à disposição, o que pode provocar um racha dentro da legenda.
Além disso, em função do fraco desempenho da sigla nas pesquisas de intenção de voto divulgadas até o momento, há uma grande possibilidade de o partido apoiar a reeleição da prefeita Adriane Lopes (PP), candidata da senadora Tereza Cristina, ex-ministra da Pasta de Agricultura, Pecuária e Abastecimento na gestão de Jair Bolsonaro.
Já o PT tem a deputada federal Camila Jara definida como a pré-candidata à prefeita da Capital. Entretanto,
as pesquisas de intenção de voto divulgadas até o momento também colocam a parlamentar com chances mínimas de conseguir chegar ao segundo turno das eleições municipais.
Por isso, é mais provável que o partido acabe por apoiar o pré-candidato do PSDB, deputado federal Beto Pereira, que é um desejo já externado por algumas lideranças da legenda, pelo fato de o PT contar com cargos públicos no governo de Eduardo Riedel (PSDB).
Por fim, entre os três partidos, o União Brasil é o que tem a pré-candidata à prefeita de Campo Grande com o melhor desempenho nas pesquisas eleitorais, a ex-deputada federal Rose Modesto, atual titular da Superintendência de Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco) e presidente estadual da sigla.
No entanto, ela mesma disse que somente no início de 2024 tomará uma decisão final sobre sua candidatura ou não ao cargo de gestora municipal, pois, conforme interlocutores próximos, são grandes as chances de Rose Modesto disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados em 2026.
Entretanto, caso seja essa a decisão da titular da Sudeco, os boatos seriam de que o União Brasil engrossaria as fileiras de aliados ao projeto de reeleição de Adriane Lopes. Afinal, um grupo de pessoas ligadas à ex-deputada federal já ocupa cargos de confiança na Prefeitura de Campo Grande.
