Em encontro com o deputado federal Reinaldo Azambuja (PSDB), no último sábado (20), na residência do senador Waldemir Moka (PMDB), o governador André Puccinelli (PMDB) propôs reaproximação com o PSDB e o tucano cobrou gestos antes de firmar a parceria. Dois dias antes, Puccinelli antecipou apoio à reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT), principal rival do PSDB no plano federal.
“Ele (o governador) perguntou se é possível ter uma reaproximação e falei que em política tudo é possível, basta que tenham gestos”, relatou Reinaldo. Ainda no encontro, ele destacou a Puccinelli a fidelidade do PSDB nas eleições anteriores ao pleito em Campo Grande e confessou insatisfações com algumas atitudes.
“O PSDB apoiou o PMDB nas duas últimas eleições, nos afastamos na eleição de Campo Grande e o gesto que o senhor fez foi de enfraquecer o nosso partido, se o senhor vier com um gesto, não para o Reinaldo, mas para os prefeitos, deputados estaduais, não tem problema de a gente sentar e conversar”, disse o tucano a Puccinelli.
Por outro lado, Reinaldo destacou a parceria com o senador Delcídio do Amaral (PT), com quem ensaia “dobradinha” em 2014. “O PT tem feito gestos para nós, conseguimos empenhar R$ 450 mil para infraestrutura nos municípios comandados pelo PSDB, através do senador Delcídio”, enfatizou.
A mesma contribuição o deputado disse esperar do governador. “É importante a ajuda do Executivo aos municípios, principalmente, agora que ele diz ter cerca de R$ 1 bilhão para investir em infraestrutura, que ajude os prefeitos do PSDB”, cobrou Reinaldo. “O problema é que ele faz reunião com deputado de outro partido com prefeitos do PSDB, com isso ele afasta a bancada estadual, então tem que fazer um gesto”, completou.
Ainda de olho na reaproximação com os tucanos, Puccinelli até teria cogitado apoio a Reinaldo na corrida pela sucessão estadual. "Falou que tem o Nelsinho, tem a Simone e que eu poderia entrar nesse grupo", contou o tucano. "Não quero entrar em grupo nenhum, vou continuar tocando minha vida política como venho tocando, com liberdade de escolha, o que nós vamos fazer, vamos fazer ano que vem junto com as lideranças do partido", emendou.
Palanques opostos
Questionado sobre o fato de Puccinelli antecipar apoio a Dilma, principal rival do PSDB na esfera federal, Reinaldo afastou problemas. “O PMDB pode apoiar quem eles quiserem, o problema é deles”, disse. Sobre a possibilidade de a aliança inviabilizar uma reaproximação, o tucano frisou que “o palanque nacional quem vai dar é o partido no Estado”.
Apesar da rivalidade na corrida pela sucessão presidencial, Reinaldo também não descarta aliança com o PT de Mato Grosso do Sul. “De repente nós fechamos aliança com o PT e o PT dá palanque para a Dilma e nós para o Aécio (Neves), cada um cuida do seu candidato, isso já aconteceu em outros estados, não é impossível acontecer aqui”, reforçou.