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Dentes de resina vendidos online oferecem riscos

Anvisa alerta para problemas causados por produtos odontológicos manipulados em casa sem conhecimento técnico

Thais Constantino  - Hojemais Três Lagoas
30/07/26 às 12h36
Dentes de resina vendidos online oferecem riscos (Foto: Reprodução)

A busca pelo chamado “sorriso perfeito” está cada vez mais acessível na internet, onde redes sociais e marketplaces oferecem diversos produtos odontológicos. Entre as opções estão dentes de resina para aplicação em casa e fórmulas destinadas ao clareamento dental. Porém, a facilidade de compra também aumenta os riscos de procedimentos realizados por pessoas sem conhecimento técnico.

Produtos odontológicos que não foram avaliados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) podem representar riscos à saúde bucal, principalmente quando utilizados ou manipulados sem acompanhamento profissional.

Dentes de resina podem causar complicações

Os dentes de resina são procurados por consumidores interessados em melhorar a aparência dos dentes e podem ser encontrados na internet em diferentes apresentações, como pó, líquido e pasta, com a proposta de serem moldados em casa.

A manipulação dessas facetas por pessoas sem conhecimento técnico pode provocar problemas na articulação temporomandibular, responsável pelos movimentos de abrir e fechar a boca. Também podem ocorrer queimaduras e contaminação por resíduos tóxicos.

Outro risco está relacionado à alteração da mordida, que pode causar danos aos tecidos que dão suporte aos dentes ou à articulação da mandíbula. Isso pode acontecer devido ao encaixe inadequado dos dentes ou à aplicação de força excessiva durante a mastigação.

Até o momento, a Anvisa não aprovou nenhum dente de resina que possa ser manipulado por pessoas sem formação profissional para realizar esse tipo de procedimento.

Clareadores dentais exigem atenção

Os cremes dentais que possuem até 0,1% de peróxido de hidrogênio são classificados como cosméticos e podem ser utilizados pela população.

Já os clareadores dentais com concentração superior a 0,1% de peróxido de hidrogênio, assim como outras substâncias, misturas ou compostos que liberem peróxido de hidrogênio, são classificados como dispositivos médicos e precisam cumprir as exigências estabelecidas pela Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) Anvisa 923/2024.

Independentemente de serem cosméticos ou dispositivos médicos, os clareadores dentais somente podem ser comercializados depois de regularizados junto à Anvisa. Portanto, mesmo os produtos aprovados para uso doméstico, sob supervisão de profissional odontólogo, precisam passar pela avaliação e aprovação da Agência.

Produtos destinados ao clareamento dental que tenham mais de 3% de peróxido de hidrogênio exigem prescrição de profissional habilitado, por meio de receita simples. A entrega do produto somente pode ocorrer mediante apresentação da receita.

Nesses casos, a embalagem deve apresentar obrigatoriamente, em tarja vermelha e em destaque, a expressão: “Venda Sob Prescrição”.

Além disso, todos os clareadores dentais classificados como dispositivos médicos precisam informar na rotulagem a concentração exata de peróxido de hidrogênio, seja quando a substância é o ingrediente principal ou quando é liberada pela combinação de outros componentes.

Uso inadequado pode causar danos

O uso incorreto de clareadores dentais com concentração superior a 0,1% de peróxido de hidrogênio pode provocar diferentes problemas à saúde bucal.

Concentração de até 3%: é comum em cremes dentais clareadores, fitas ou géis suaves destinados ao uso doméstico. Nesses casos, o problema mais frequente é a sensibilidade dos dentes, que pode gerar desconforto significativo ao consumir alimentos ou bebidas quentes e frias, além de irritação leve nas gengivas.

Concentração acima de 3%: o uso inadequado pode provocar sensibilidade dentária intensa, irritação ou queimaduras nas gengivas e alterações na superfície do esmalte. Essas alterações podem deixar os dentes mais vulneráveis às cáries. Também existe risco de perda de tecido da raiz dental, situação que pode causar dor intensa e levar à necessidade de tratamento.

Como verificar se o produto é regularizado

Produtos regularizados para utilização em odontologia devem apresentar na embalagem o número de notificação ou registro junto à Anvisa.

Cosméticos: produtos com até 0,1% de peróxido de hidrogênio. A regularização pode ser consultada no sistema da Anvisa.

Dispositivos médicos: produtos com concentração de peróxido de hidrogênio acima de 0,1%. A consulta também pode ser realizada no sistema da Agência.

Empresas nacionais: fabricantes e importadores desses produtos precisam ter CNPJ cadastrado na Anvisa e Autorização de Funcionamento de Empresa (AFE) para a atividade. A situação pode ser consultada no sistema da Agência.

Empresas internacionais: também é possível consultar a regularização das empresas no sistema específico disponibilizado pela Anvisa.

Tratamento odontológico é recomendado

Considerando os riscos que a manipulação e o uso desses produtos podem representar para a saúde, a recomendação é que os consumidores procurem atendimento odontológico antes de realizar procedimentos.

Os dentistas são profissionais legalmente habilitados e qualificados para avaliar cada caso e indicar o tratamento adequado.

A população também pode buscar atendimento odontológico pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Para obter informações sobre a assistência disponível, a orientação é procurar o posto de saúde responsável pelo atendimento da região.

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