Cotidiano

20 anos após início de obras para captação, água do Tietê já abastece 40% de Araçatuba

Instalação da tubulação para trazer a água do rio até a ETA no bairro Ipanema teve início em 2002

Lázaro Jr. - Hojemais Araçatuba
22/09/22 às 19h12
Tietê já é responsável por abastecer com água potável 40% da população de Araçatuba (Foto: Manu Zambon/Hojemais Araçatuba/Arquivo)

O rio Tietê, que tem o seu dia celebrado nesta quinta-feira (22), já é responsável pelo abastecimento com água potável de 40% da população de Araçatuba (SP), única cidade paulista não ribeirinha abastecida com água do manancial. Segundo a concessionária GS Inima Samar, atualmente o sistema Tietê está operando em sua capacidade total, pois foi elevada essa porcentagem de abastecimento, que antes era de 30%.

A empresa explica que a demanda aumenta conforme o crescimento vegetativo do município, que é calculado pela diferença entre a taxa de natalidade e a taxa de mortalidade da população, e que no momento, não há previsão de ampliar esse abastecimento.

A estação de captação de água do Tietê para abastecimento de boa parte de Araçatuba fica a 15 quilômetros distante da área urbana do município.

20 anos

Apesar de o projeto autorizando a terceirização da captação e o tratamento da água do Tietê ter sido  apresentado pela prefeita Germínia Venturolli no ano 2000, a instalação efetiva da tubulação teve início em 2002, no primeiro mandato do ex-prefeito Jorge Maluly Netto.

O projeto foi executado pela construtora OAS, que posteriormente veio a vencer a concessão e assumiu o Daea (Departamento e Água e Esgoto de Araçatuba). Ele foi executado em duas etapas, ao custo de aproximadamente R$ 22 milhões.

A primeira fase teve início no mesmo ano, com a construção de 14,5 quilômetros de rede adutora. A estação de captação e bombeamento de água começou a ser construída em maio de 2004.

A inauguração do novo sistema ocorreu em 10 de dezembro de 2005, quando Maluly cumpriu a promessa feita anos antes e tomou banho na água que jorrava de uma torre com cinco metros de altura, na rotatória do Pé-de-Galinha, na avenida José Ferreira Batista.

Estação

Porém, ainda faltava a ETA-Tietê, terceira etapa do projeto, que teve a pedra fundamental lançada em 6 de setembro de 2006. A obra foi interrompida várias vezes ela foi inaugurada em 14 de junho de 2013, sob gestão da Samar, que ainda pertencia ao Grupo OAS, e teve que investir mais R$ 5 milhões.

Atualmente o grande desafio para garantir o abastecimento de Araçatuba com água do Tietê são as estiagens prolongadas, que fazem o volume do rio baixar. A GS Inima Samar informa que nesses nove anos de funcionamento do sistema houve duas grandes secas, em 2014 e 2019, que obrigaram a utilização de uma balsa para a captação flutuante.

“A balsa está sempre pronta para ser utilizada em caso de seca, mas no ano passado e neste ano não foi necessário utilizá-la” , informa em nota.

Estudo aponta piora na qualidade da água do Tietê 

Monitoramento feito por voluntários da Fundação SOS Mata Atlântica e equipe técnica da causa Água Limpa, apontou piora na qualidade da água do rio Tietê, que é o maior rio paulista, com 1.100 quilômetros da nascente à foz. 

O monitoramento foi realizado entre setembro de 2021 e agosto de 2022, ao longo de 576 quilômetros do rio principal, desde a nascente, em Salesópolis, até a jusante da eclusa do Reservatório de Barra Bonita. Portanto, não entra no estudo o trecho que passa por Araçatuba.

Os dados foram obtidos com a média do IQA (Índice de Qualidade da Água) em 55 pontos de coleta distribuídos por 31 rios da bacia do Tietê. Onze pontos de coleta estão situados ao longo do rio principal. 

Em três deles foi constatada melhora na qualidade da água, na região chamada de Tietê Cabeceira, enquanto em cinco pontos houve piora: no trecho do rio Tietê entre em Botucatu e Barra Bonita a água passou de boa para regular e, em Laranjal Paulista, de regular para ruim. Em Santana de Parnaíba a qualidade foi péssima. 

Em Anhembi, Barra Bonita, Mogi das Cruzes, Pirapora do Bom Jesus, Salto e Tietê os índices se mantiveram como regular; em Guarulhos, Itaquaquecetuba e Suzano, como ruim. 

Regular

No geral, entre os 55 pontos monitorados em toda a bacia, a qualidade da água foi apontada como boa em sete (12,7%), regular em 34 (61,8%), ruim em 10 (18,2%) e péssima em quatro (7,3%). Não houve registro de água de ótima qualidade, fato que se repete desde 2010.

O comparativo mostra estabilidade em relação ao resultado do ano passado, com leve tendência de perda de qualidade. Em 2021 foram monitorados 53 pontos, com índice bom em seis (11,3%), regular em 36 (67,9%), ruim em sete (13,2%) e péssima em quatro (7,5%).

Outro dado apontado pelo estudo é que a mancha de poluição no trecho do rio Tietê monitorado cresceu e se estende agora por 122 quilômetros, aumento de mais de 40% em relação a 2021, quando atingiu 85 quilômetros.

A água de boa qualidade foi reduzida numa proporção ainda maior: de 124 quilômetros no ano passado para apenas 60 na atual medição. 

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