Cotidiano

Após 6 anos e meio de espera, paciente é chamada para cirurgia no joelho

Ela faz parte dos cerca de 3 mil pacientes na fila para cirurgias eletivas na Santa Casa de Araçatuba

Lázaro Jr. - Hojemais Araçatuba
19/09/22 às 19h32
Maria Francisca foi internada no início da tarde desta segunda-feira para os preparativos para a cirurgia (Foto: Lázaro Jr./Hojemais Araçatuba)

A dona de casa Maria Francisca dos Anjos, 63 anos, ficou surpresa ao receber um telefonema na semana passada da Santa Casa de Araçatuba (SP), informando que havia sido agendada para esta terça-feira (20), uma cirurgia no joelho que ela aguardava havia 6 anos e meio.

Ela é uma das pacientes mais antigas na fila que conta com aproximadamente três mil pessoas que aguardam por cirurgias eletivas. A realização desse tipo de procedimento ficou suspensa por dois anos, devido à pandemia do coronavírus.

A cirurgia de Maria Tereza está agendada para as 11h desta terça-feira e ela internou no início da tarde desta segunda-feira (19). Emocionada, ela falou com o Hojemais Araçatuba já no leito, onde permaneceria internada para exames preliminares.

A paciente contou que o problema foi diagnosticado após um acidente doméstico, há quase 10 anos, quando ela bateu o joelho esquerdo em um vaso. O laudo que diagnosticou a necessidade uma artoplastia total primária para correção do problema foi emitido exatamente 6 anos 6 meses atrás.

Segundo a assessoria de imprensa do hospital, a primeira consulta no AEM (Ambulatório de Especialidades Médicas) da Santa Casa aconteceu em meados de 2014 e exames apontaram desgaste nos ossos do joelho, possivelmente sequela do acidente sofrido, e quadro avançado de artrose.

Como a cirurgia não é considerada caso de urgência ou emergência, após o ortopedista expedir o laudo cirúrgico, a paciente foi incluída na fila de espera para o procedimento. 

Chamado

Apesar da demora, a paciente disse que sempre teve o apoio de amigos e familiares e tinha esperança que seria chamada para o procedimento, pois devido à dor, ela teve a mobilidade reduzida e passa boa parte do tempo deitada.

“Eu não estava nem esperando. Quando ligaram avisando eu pensei: olha que bênção, e saí contando para os vizinhos”, contou. A paciente disse que se apegou a Deus durante a espera e confiava na palavra do pastor, que a fazia acreditar que o dia da cirurgia dela iria chegar.

Internação

Maria Francisca chegou à Santa Casa de Araçatuba por volta das 12h, acompanhada do marido, Ismail de Faria. O casal mora no bairro Novo Paraíso e sobrevive com a aposentadoria dele e serviços que realiza em limpeza de terrenos e jardins.

Devido às dificuldades que ela enfrenta pelo problema no joelho, o marido também a ajuda nos afazeres domésticos, estendendo roupas no varal e varrendo o chão de casa. Após a cirurgia e o período pós-operatório, a paciente pretende ir à igreja para agradecer e retomar as atividades do dia a dia.

“Eu quero ficar boa, ir à igreja para agradecer a Deus e poder cuidar da minha obrigação, do meu serviço”, disse, acrescentando que também pretende voltar a ajudar o marido dela nos trabalhos que ele faz em jardins.

Maria Francisca nos preparativos para a cirurgia (Foto: Lázaro Jr./Hojemais Araçatuba)

Outros pacientes aguardam desde 2015 por cirurgias

Segundo a assessoria de imprensa da Santa Casa de Araçatuba, assim como Maria Francisca dos Anjos, outras pacientes foram inseridas em 2015 na lista de espera por cirurgias eletivas.

O hospital informa que foi feito contato com outras duas pacientes e uma delas informou que não fará mais o procedimento. A outra não havia sido localizada pelo telefone constante da ficha médica.

Ainda está sendo atualizada a situação dos pacientes que constam da fila de espera desde 2015. Esse trabalho é feito por equipe que telefona para os inscritos, mas alguns não estão sendo encontrados nos telefones que constam nos cadastros.

Há casos de pacientes que não querem mais realizar o procedimento, mas a grande maioria encontrada ainda aguarda e nesses casos, já está sendo agendada a atualização dos exames pré-operatórios, que precisam ser refeitos.

Segundo o que foi divulgado, somente após concluir a fase de abordagem dos pacientes será possível divulgar o tamanho exato da fila de espera.

Fila

A Santa Casa argumenta que a tramitação do processo para cirurgias eletivas demanda tempo, por haver várias etapas burocráticas entre as secretarias municipais de saúde e DRS-2 (Departamento Regional de Saúde), para análises de custeios e de agendamentos, já que o procedimento é feito pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

Ainda de acordo com o hospital, normalmente há centenas de pacientes nessa fila, o que retarda em meses e até anos o chamado para a realização da cirurgia. E essa demora foi ampliada devido à pandemia do coronavírus, já que restrições impostas pelo Ministério da Saúde para enfrentamento da doença suspenderam a realização de cirurgias eletivas por dois anos.

Retomada

Após ser liberada a realização de cirurgias eletivas, o governo do Estado anunciou a realização de um mutirão de cirurgias, com a liberação de recursos para hospitais do SUS.

O dinheiro possibilitou melhorar o estoque de medicamentos e materiais cirúrgicos. Nesse tempo o hospital também concluiu a conclusão da reforma de uma ala que estava com 20 leitos bloqueadas, liberando esses leitos para cirurgias eletivas.

A previsão é de que a partir de outubro seja possível realizar 200 cirurgias mensais, já que duas salas cirúrgicas estão sendo equipadas com verbas do Unisalesiano para serem utilizadas exclusivamente para cirurgias eletivas.

A Prefeitura deve ajudar a custear a contratação de profissionais que atuarão nos procedimentos nesses leitos.

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