Exemplar do Plano Diretor da Hidrovia Tietê-Paraná entregue ao prefeito de Araçatuba (SP), Dilador Borges (PSDB), nesta sexta-feira (23), prevê a construção do Porto de Araçatuba, com modal hidroviário, ferroviário, rodoviário e aéreo.
O documento foi apresentado durante visita do diretor do DH (Departamento Hidroviário do Estado de São Paulo), José Reis, acompanhado do coordenador de apoio aos municípios, Clodoaldo Pacce.
A Prefeitura divulgou nota à imprensa, na qual Reis informa que Araçatuba é um dos pontos logísticos principais do Plano Diretor, por ser uma cidade extremamente importante na logística Tietê-Paraná. Diante disso, comporta e necessita de um porto modal aberto.
“Esse será um dos centros principais da hidrovia de transporte e distribuição de carga. É uma cidade realmente que compõe o desenvolvimento regional das cidades ao longo da hidrovia Tietê-Paraná”, cita em nota da Prefeitura.
Dilador informa também em nota que está nos planos de Araçatuba receber esse porto hidroviário há muitos anos e ele espera que agora esse sonho saia do papel para virar realidade. “ Essa grandiosa obra, do porto hidroviário, vai atender toda a região, trazendo um novo marco para o transporte hidroviário do noroeste paulista”, declara.
Visitas
O DH iniciou na quinta-feira (22), Dia do Tietê, uma rodada de visitas a prefeitos de cidades próximas à HTP (Hidrovia Tietê-Paraná), passando por Barra Bonita, Jaú e Pederneiras, apresentando o Plano Diretor da Hidrovia. Nesta sexta (23) as visitas seriam a Araçatuba, Buritama e Pereira Barreto.
Segundo o que foi divulgado, o Plano Diretor é fundamental para promover o desenvolvimento desta matriz logística e incrementar a competitividade econômica e ambiental, estimular o crescimento econômico e social dos municípios, promovendo a normatização institucional da hidrovia.
O Plano também mostra as obras já feitas desde 2019 e as que estão em andamento na hidrovia, como a do Pedral de Nova Avanhandava, em Buritama, que seria visitado nesta sexta-feira.
Obras
Também em nota, o secretário estadual de Logística e Transportes, João Octaviano Machado Neto, informa que no próximo dia 14 de outubro será realizada a sessão da licitação para a retirada de rochas submersas (derrocamento) do canal de Nova Avanhandava. O investimento previsto é de R$ 343 milhões.
De acordo com ele, essa obra é gigantesca e muito importante para o transporte de carga de São Paulo e do Brasil, pois o canal fica no trecho mais atingido pela falta de chuva e obrigou a suspensão das operações no modal no fim de agosto do ano passado, entre Pederneiras e São Simão (GO).
Rochas
As rochas de basalto, a maioria submersa, impediram a navegabilidade e o transporte pela hidrovia. Foram sete meses de suspensão do transporte devido à crise hídrica, com a retomada ocorrendo em março deste ano.
O projeto prevê que com a conclusão da obra, a passagem das embarcações usadas na hidrovia conduzidas por rebocadores não será mais bloqueada com os níveis mínimos de água para a operação do reservatório da Usina Três Irmãos.
O prazo de conclusão dos trabalhos é de três anos, com a expectativa de retirada de 1,3 milhão de toneladas de basalto do Tietê e o envolvimento de mais de 200 colaboradores.
Questões ambientais
A empresa que vencer a licitação deverá utilizar 593 toneladas de explosivos para quebrar o basalto na hidrovia. O trabalho deve ser suspenso nos períodos de defeso, de novembro a fevereiro, quando os peixes do rio se reproduzem.
O basalto retirado do rio deverá ser descartado corretamente em locais chamados de ‘bota-fora’ , sem impacto à natureza.
Economia
Pela Hidrovia Tietê-Paraná, são escoadas as produções agrícolas para os reservatórios de Três Irmãos e Ilha Solteira com destino a São Simão (e vice-versa). Dos 2.400 km de extensão de toda a hidrovia, 800 km estão no Estado de São Paulo. O modal conecta seis dos maiores Estados produtores de grãos do País: Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo e Paraná.
