O Tribunal do Júri de Araçatuba (SP) se reúne nesta quinta-feira (28), para o julgamento de Renato Silveira da Silva, 39 anos, acusado de matar a tiros o sogro dele, Wellington José dos Santos, 54, e de tentar matar também a tiros, a ex-mulher dele e o namorado dela, crimes ocorridos em outubro de 2022, no bairro Taane Andraus.
O irmão dele, Ricardo Silveira da Silva, também foi denunciado por participação nos crimes, porém, a Justiça entendeu que ele não deveria ser julgado pelo Júri Popular. O caso ganhou grande repercussão devido ao alto grau de violência na ação.
De acordo com a denúncia, o casal manteve união estável por 18 anos, havia se separado há três meses, mas o réu não aceitava o término do relacionamento e passou a perseguir e ameaçar a ex-companheira.
Em razão das perseguições a mulher solicitou medidas protetivas de urgência, que foram deferidas pela Justiça, as quais foram descumpridas por ele na tarde de 23 de outubro de 2022.
Invasão
Ainda de acordo com a denúncia, naquele domingo Renato foi à casa da ex-companheira, na rua Pacaembu e, armado com uma pistola 9 milímetros, pulou o muro da residência. Primeiro ele atirou no namorado da ex, então com 33 anos.
A mulher, que percebeu a ação, tentou desarmá-lo e a pistola caiu no chão. Porém, ele conseguiu recuperá-la e tentou atirar contra ela, mas a arma falhou. O casal aproveitou esse momento para correr e se esconder no banheiro, onde se trancou.
O réu fez disparos contra a porta do cômodo, na tentativa de feri-los, e depois colocou a mão pelo vitrô do banheiro e disparou várias vezes contra as vítimas, que conseguiram se esconder e não foram atingidas.
Ex-sogro
Além disso, ao encontrar o padrasto da ex-companheira, que estava sentado em uma cadeira no quintal, ele atirou contra a boca da vítima, que morreu no local. O Ministério Público entendeu que o irmão de Renato teria concorrido para os crimes, pois logo depois esteve na casa das vítimas, entrou na residência e teria dado respaldo ao irmão.
Ele inclusive teria retirado uma sobrinha de 3 anos da casa, levando-a embora com o irmão. Conforme já publicado, Renato se apresentou à polícia na quarta-feira seguinte aos crimes, junto com o irmão, e entregou a pistola que havia utilizado.
Os dois prestaram declarações na presença de um advogado, sendo que Renato confirmou a autoria dos crimes e negou a participação do irmão dele. Na versão do réu, Ricardo o teria acompanhado apenas para resguardar a integridade da sobrinha, versão que foi confirmada pelo outro investigado.
Denúncia
Renato e Ricardo foram denunciados por homicídio tentado contra a a mulher, cometido por razões do sexo feminino, envolvendo violência doméstica e familiar (feminicídio), qualificado por motivo torpe e com recurso que dificultou a defesa da vítima.
Também foram denunciados pelo homicídio qualificado por motivo torpe e com recurso de que dificultou a defesa da vítima contra o ex-sogro de Renato, e pelo homicídio tentado qualificado por motivo torpe e com recurso de que dificultou a defesa da vítima, tendo como vítima o namorado da ex-mulher de Renato.
Intervenção divina
Na ocasião, a reportagem ouviu o diretor técnico da Santa Casa de Araçatuba, médico Carlos Mori, que comentou que a vítima não morreu por sorte ou "intervenção divina”, já que o projétil disparado contra o peito dela parou no osso de uma costela.
“Não é comum ocorrer isso, porém é possível. Se não fosse o alojamento do projétil em arcos costais, as consequências provavelmente seriam gravíssimas ou até mesmo fatais”, explicou em nota da assessoria de imprensa.
Júri
Encerrada a fase de instrução, a Promotoria de Justiça pediu que Renato fosse julgado pelo Tribunal do Júri nos termos da denúncia, mas pediu a impronúncia de Ricardo. O mesmo pedido foi feito pela defesa do corréu, sob argumento de que ficou demonstrado que ele não praticou os crimes.
Com relação a Renato, foi requerida a impronúncia em relação à ex-companheira dele, e o afastamento das qualificadoras na denúncia contra o namorado dela. A Justiça acatou os pedidos do Ministério Público, pela impronúncia de Ricardo, mas decidiu que Renato deveria ser julgado pelo Júri Popular.
