A Justiça de Araçatuba (SP) condenou cinco pessoas, três homens e duas mulheres, acusadas de integrar uma organização criminosa especializada em furtos e roubos em condomínios de apartamentos e residências de alto padrão. Uma sexta participante do roubo em Araçatuba foi identificada, mas o processo com relação a ela foi desmembrado por estar foragida.
Os réus foram presos pela Polícia Civil de Araçatuba em julho do ano passado, durante a Operação Lógos, que é resultado da investigação de roubos contra duas famílias tradicionais da cidade, que sofreram prejuízo somado de aproximadamente R$ 1,3 milhão entre dinheiro, joias e outros bens. A investigação feita em Araçatuba apontou que o grupo atuava em várias cidades de diferentes Estados do Brasil e inclusive planejava invadir e furtar o apartamento do ex-presidente Fernando Collor de Mello, em Maceió.
A sentença proferida pela Justiça de Araçatuba é referente a um dos roubos, que teve como vítima uma família residente em um apartamento de alto padrão, no bairro Bandeiras, causando prejuízo de mais de meio milhão de reais. O caso foi exibido em reportagem do programa Fantástico, da Rede Globo, revelando que os acusados foram rastreados após terem comprado um lanche pagando com Pix, momentos antes do crime, em um estabelecimento próximo do local do assalto.
A maior pena é para Luan Tavares de Santana, condenado a 13 anos e 1 mês e 26 dias de prisão. Outros três réus: Luiz Fernando Scheneider Monte, Carolina Arraes de Lima e Ricardo Ossamu Yamashita, que é sogro de Luan, receberam penas de 11 anos, 3 meses e 10 dias. Já Maria Luyza Silva de Oliveira pegou 9 anos e 8 meses de reclusão. Cabe recurso contra a sentença.
Roubo
A investigação da Polícia Civil de Araçatuba apontou que os réus são moradores em São Paulo e entre 2023 e 2024, se associaram para a prática de furtos e roubos contra famílias residentes em condomínios e casas de alto padrão. A partir do material que foi apreendido com os investigados, a Polícia Civil de Araçatuba encontrou indícios de que o grupo teria praticado ao menos 50 crimes do tipo, chefiados por Luís Fernando, que se passaria por agente de concessionária.
Utilizando bancos de dados obtidos de forma ilícita, ele estudava possíveis vítimas, que eram monitoradas e recebiam dezenas de ligações telefônicas para levantar a rotina desses alvos. Apesar de ter preferência por furtos, os réus seguiam para os locais de crimes preparados para roubos. No caso do crime em que foram condenados em Araçatuba, o porteiro foi rendido com uso de arma de fogo.
Além disso, Luís Fernando Schneider monitorava as viaturas da Polícia Militar em tempo real e o acionamento do 190, por meio de um programa pelo qual teria pago a um policial militar para ter acesso a uma senha. A investigação apontou que Maria Luyza e Carolina agiam diretamente na invasão dos imóveis portando armas de fogo, para furtar os bens de valor, o que faziam na companhia de Rayssa Carneiro Arruda, que está foragida, e de Luan. Já Ricardo levava o grupo ao local do crime e permanecia esperando para levar os autores do crime de volta para São Paulo.
