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Nós humanos convivemos nas relações familiares, profissionais ou sociais com verdades e mentiras. Há pessoas que dizem a verdade a qualquer custo. Há um segundo tipo de pessoa que mente, por entender justificável fazê-lo em determinada situação.
Há uma terceira categoria de pessoa que mente por ser compulsiva ou doente, como naqueles contos de piadas de pescador.
A mentira é ínsita do ser humano e produz efeitos na vida em sociedade. Mente-se para prejudicar, para ajudar ou por qualquer outro motivo. O fato é que a mentira está presente na nossa vida.
Fernando Pessoa, poeta português, num trecho de um dos seus poemas, escreveu: “... o poeta é um fingidor, finge tão completamente, que chega a fingir que é dor, a dor que deveras sente ...”.
Sim, existem pessoas que acreditam na própria mentira, ou seja, passam a tê-la como sendo verdade.
O uso da mentira para se tirar vantagem sobre alguém ou algo é nocivo e antiético. Há também quem defenda a possibilidade da coexistência da ética com a mentira – “mentira com boa intenção ou finalidade”.
Na política populista e rasteira, o uso da mentira pelo homem público é algo corriqueiro. Fala-se uma coisa publicamente e faz-se outra na surdina. Também há o dito popular: “Uma mentira contada por várias vezes, pode se tornar verdade”. É que a repetição de algo inverídico pode dar a falsa impressão de que é verdade.
A mentira gera descrédito à pessoa ou à instituição que a propaga. Mentiras podem afetar relacionamentos, abalar o mercado financeiro, gerar guerras, causar ações violentas, eclodir crimes, etc.
Que bom seria se não existisse “fake news”, mas o ser humano não é perfeito. É também um dos princípios da imprensa e do bom jornalismo a checagem da veracidade dos fatos, isso porque existem mentiras.
Num artigo no jornal “O Estado de São Paulo”, o professor e filósofo Leandro Karnal abordou o assunto, com o título “Sincericídio”, discorrendo que: “Quase ninguém sobrevive à verdade”. “Ser verdadeiro é uma virtude”.
Já li uma história sobre “a verdade” (que é a personagem dela no tal conto) em que os homens a desprezavam, mas a “parábola” (outra personagem) emprestou-lhe lindas vestes e de repente, por todo lugar onde passava a verdade era bem-vinda.
Moral da história: “A verdade é que os homens não gostam de encarar a verdade nua; eles a preferem disfarçada!
Jesus pregou que: “Somente a verdade nos liberta” (Jo 8,32). Como operador do direito, na área criminal, me causa surpresa a “criatividade” de determinados acusados em mentir para não serem responsabilizados.
No Brasil, o acusado de um crime, durante o seu interrogatório, pode mentir de forma escancarada, porque não pode ser punido. Aqui no nosso País não existe o crime de perjúrio.
A mentira, desse modo, é um fenômeno cultural e pode influenciar a lei. Enfim, seja mentira ou verdade, apesar do antagonismo entre ambos, estarão sempre presentes na vida das pessoas.
Que nos conforte Santo Agostinho, quando disse: “Não vás para fora, volta a ti mesmo. No homem interior habita a verdade”.
*Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação.
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