Vinte e cinco de setembro de 2019, a data que marcará a morte de Mariana Bazza. A jovem de 19 anos era estudante do curso de fisioterapia, morava em Bariri e estudava em Bauru, cidades próximas da nossa região. Ela foi assassinada por um homem que demonstrou interesse em ajudá-la a trocar o pneu do carro dela, que estava furado.
Casos assim costumam trazer uma discussão pouco produtiva para um tema caro: ser mulher no Brasil. Por que Mariana aceitou ajuda de um estranho? Saindo da academia, com aquele tipo de roupa grudada? Alguns acrescentariam: “É difícil para um homem resistir”. Por que Mariana levou o carro até a chácara onde o homem trabalhava? Detalhe, ficava em frente à academia.
Fundamental é dizermos que: A culpa nunca é da vítima!
Mariana chegou a enviar para a família uma foto do possível homem prestativo que se prontificou a ajudá-la e que em menos de uma hora se tornaria seu algoz.
Dados compilados pelo FBSP (Fórum Brasileiro de Segurança Pública), em parceria com o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), com base nos dados oficiais do Sistema de Informações Sobre Mortalidade, do Ministério da Saúde, apontam um número alarmante: 13 mulheres morrem vítimas de violência todos os dias no Brasil.
Lamentavelmente os crimes de violência contra a mulher são democráticos, no pior sentido da palavra. Eles acontecem aqui, no Norte, Nordeste; eles acometem mulheres brancas, embora dados recentes apontem que as mulheres negras são maioria; não faz distinção de classe social.
No Estado de São Paulo, presumivelmente o mais desenvolvido e progressista do País, os casos de feminicídio aumentaram 44% no 1º semestre de 2019. Oito em cada 10 casos de feminicídio ocorreram dentro de casa; dados são de levantamento do G1.
Concordando com Lourdes Bandeira, professora de sociologia da Universidade de Brasília: “Ser mulher no Brasil equivale a viver num estado de guerra civil permanente”. A afirmação da doutora seria desmedida se não fossem as estatísticas brutais.