Opinião

Agroecológicos: saúde das pessoas e do meio ambiente

"Como a história nos ensina, há mais de 12 mil anos os humanos já se organizavam em variadas formas"

Aderbal Neves da Silva* - Hojemais Araçatuba
21/10/19 às 16h06

A humanidade tem a alimentação como um dos seus condicionadores de modo de vida. Como a história nos ensina, há mais de 12 mil anos os humanos já se organizavam em variadas formas, todas as conhecidas, porém, socialmente pouco complexas e essencialmente coletores de seu alimento.

Essa condição fazia com que os agrupamentos humanos fossem nômades, com territórios e migrações mais ou menos definidos de acordo com ciclos ecológicos ou de diminuição da disponibilidade de alimentos, forma que era caracterizada também pelo desapego de itens que não os essenciais e carregáveis nas migrações.

Data-se desse tempo os vestígios conhecidos mais antigos de prática de agricultura e que também demonstram a substanciosa mudança de um modo de vida nômade, coletor e desapegado, para um modo de vida mais assentado, cultivador, acumulador de alimentos, utensílios e de instrumentos.

De 5 mil anos até o período das grandes navegações, sociedades complexas se formaram em várias partes do mundo. Todas, porém, com a população em intrínseca ligação com o campo ou selva.

Foi a partir da Revolução Industrial que se iniciou um profundo processo de hipercomplexação da sociedade, da divisão do trabalho, com alienação dos meios de produção, mecanização, automação e a globalização.

Fomos nos afastando da natureza. O campo não é mais um vínculo direto. Muitos não sabemos de onde vêm nossos alimentos, como são produzidos, que dirá conhecer o camponês que os cultivou.

Quando muito nos valemos de selos e certificados que comprovam que determinado alimento tem uma origem melhor que outros em alguns aspectos, porém, no mercado, valendo isso mais como agregador de valor ao produto do que como democratização da alimentação livre de agrotóxicos ou com práticas menos agressivas ao meio ambiente.

Neste ano um estudo mostrou que poucos brasileiros têm acesso à água potável livre de traços de agrotóxicos. E que muitos estamos bebendo a cada copo d’água um coquetel de traços destes químicos agrícolas.

E nosso hábito de consumo financia o modo de produção do que estamos consumindo. Nessa relação complexa, sem o vínculo direto com a produção do que consumidos, o que estamos patrocinando?

Em busca de qualidade na alimentação, ações e movimentos de camponeses e consumidores têm apresentado alternativas como a “venda direta” e “Comunidade que Sustenta a Agricultura” (CSA).

Em comum, o resgate da relação de confiança, a produção com práticas agroecológicas e acesso democrático; apoiar estes agricultores familiares, conhecendo-os, as suas condições, visitá-los e estabelecer uma relação de amizade; com eles, entender a dinâmica da natureza, quais plantas e suas épocas, como lidar com as intemperes.

É financiar uma vida mais saudável para si, para o agricultor e um cuidado com o meio ambiente, bom para todos.

 

*Aderbal Neves da Silva é membro da ONG AGA Brasil, apoiador da Rede de Agricultura Ecológica do Baixo Tietê (RAE)

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