* Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação
Não sei qual a relação de vocês com a música, mas comigo o sentimento sempre foi intenso. Cresci rodeada de vinis e CDs. No auge da minha arrogância, brincava que nenhum cara mancharia as canções do U2. Sempre considerei aquilo algo tão sagrado, a ponto de só os meus pais serem dignos das canções.
A música realmente tem o poder de guardar pessoas e sensações. É como se fosse uma mágica, pois traz à tona certos momentos, cores, cheiros e assim por diante. Ela diz aquilo que a gente sente, reivindica direitos, descreve sociedades e culturas, une pessoas diferentes. Já cantei entre milhares, conectada com pequenos universos, na mesma batida, do Morumbi ao Maracanã, do Lollapaloza ao Rock in Rio.
Por mais que lutasse com todas as forças para que determinadas canções fossem só minhas, me rendia, não conseguia impedir as memórias que inundavam a minha voz. Como não lembrar aquele sentimento que começou ao som de Lana del Rey e Florence and the Machine - e o tanto que, infantilmente, tentei apaga-lo dessas canções?
Outras, fiz questão de preenchê-las com tudo. Como uma caixinha cheia de passado, você abre e revive. Coisas, pessoas, histórias. As ruas de Paris ao som de Midnight City. Aquele momento em que A Liberdade Guiando o Povo surgiu ao som de Viva La Vida no telão do Coldplay. Noel me fazendo chorar ao som de Champagne Supernova, antes mesmo do Bono cantar Ultraviolet. A chuva que caia ao som de Kings of Lion. Eu sinto, entro no som. Sentir também é sagrado.
A garota que achava que o paraíso era a sala de som dos seus pais, deixa uma sugestão: que tal sentirmos o mundo e as pessoas da mesma forma que sentimos aquelas canções que amamos? Com emoção e brilho no olhar!
A música abre algumas feridas, mas também pode curá-las. Na próxima vez que tocar aquela que te faz lembrar algo ou alguém, sinta, lembre, telefone se quiser, ria ou chore. Mande um bilhete escrito a máquina com aquele trecho. Agradeça quem viveu com você aquela melodia.
E sempre me deixe sentir o som.
* Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação
Gostaria de ter artigos publicados no Hojemais Araçatuba ? Entre em contato pelo e-mail redacao@ata.hojemais.com.br.