Opinião

Doutor, eu tenho tireoide!

"Os problemas que a tireoide pode apresentar dividem-se, basicamente, em dois: alterações na produção dos hormônios T3 e T4 ou alterações em sua conformação (tumores)"

Everton Pontes Martins* - Hojemais Araçatuba
26/03/20 às 20h31

É muito comum ouvirmos essa afirmativa durante a consulta de pacientes com problemas tireoidianos. A depender da proximidade com o paciente, às vezes até comento brincando: “Mas eu também tenho!” Na verdade, as pessoas normalmente entendem que ter tireoide significa ter uma doença, o que não é verdade.

A tireoide é uma glândula com o formato de borboleta, localizada na região anterior do pescoço e que tem uma importante função em nossa fisiologia. Ela é responsável pela produção de hormônios utilizados pelo nosso corpo como combustível, no intuito de manter nossos órgãos em funcionamento.

Esses hormônios são o T3 e o T4.

O comando para o adequado funcionamento da glândula vem do cérebro, mais especificamente, da hipófise, por meio do TSH. Muitas pessoas estão familiarizadas com esses termos pois profissionais médicos das mais diversas especialidades costumam solicitar esses exames durante consultas de rotina.

Os problemas que a tireoide pode apresentar dividem-se, basicamente, em dois: alterações na produção dos hormônios T3 e T4 ou alterações em sua conformação (tumores).

As alterações na produção dos hormônios são denominadas hipertireoidismo e hipotireoidismo. O hipotireoidismo é a mais frequente, situação onde a glândula produz os hormônios em quantidade menor que o ideal, em consequência, na maioria das vezes, de uma inflamação crônica chamada tireoidite de Hashimoto.

Nesses casos, o tratamento constitui-se basicamente na reposição hormonal.

Já o hipertireoidismo, produção excessiva dos hormônios, é tratado inicialmente através de medicações que visam regularizar o funcionamento da glândula e, depois, complementado por iodoterapia ou cirurgia.

Em relação aos tumores, como em todos os órgãos, podem ser benignos ou malignos (câncer). O tratamento, quando necessário, é realizado com uma cirurgia, a tireoidectomia. A maioria dos nódulos são benignos e, se pequenos, podem ser acompanhados regularmente por meio da realização de ultrassonografias. Aqueles que aumentam progressivamente de tamanho ou número, acabam tendo indicação de ressecção cirúrgica.

Já o câncer de tireoide tem seu tratamento baseado na cirurgia e, em alguns casos, iodoterapia pós-operatória. Para diferenciar um nódulo benigno de um maligno utilizamos um exame chamado punção aspirativa com agulha fina (PAAF), onde coleta-se material do nódulo através da aspiração com uma agulha de fino calibre, normalmente sob a orientação de um ultrassom. A análise desse material é que vai determinar a natureza histológica do nódulo, se benigno, maligno ou suspeito.

Não esqueçamos que nódulos tireoidianos são comuns, mas devem sempre ser acompanhados por um cirurgião de cabeça e pescoço.

Foto: Flávia Baxhix

 

*Everton Pontes Martins é médico, especialista em cirurgia oncológica e em cirurgia de pescoço e cabeça. É coordenador da residência médica de cirurgia geral da Santa Casa de Araçatuba (SP). 

** Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação.

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